Rivalidade é maior desafio para organizadores da Copa

Em avaliação da 1.ª fase, Ministro Aldo Rebelo aponta que a Copa do Mundo foi a cara do Brasil: "faltou o que falta todos os dias"

O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2014 | 14h44

A Copa do Mundo supera sua primeira fase sem problemas estruturais. Mas o governo reconhece: faltou o que falta aos brasileiros todos os dias. A partir de agora, o maior desafio é a rivalidade entre diferentes torcidas, principalmente as sul-americanas. Ontem, a Fifa e as autoridades brasileiras fizeram uma avaliação do que foi a primeira fase da Copa, com 75% de todos os jogos do Mundial já disputados, e insistem que apenas "incidentes isolados" afetaram o torneio.

"A Copa transcorreu dentro da normalidade", disse Aldo Rebelo, ministro dos Esportes. "O que faltou é o que falta no dia a dia. Nós temos deficiências nos serviços, no funcionamento do nosso trânsito, nossas cidades têm engarrafamentos ordinários no dia a dia, e em um ou outro jogo da Copa isso terminou acontecendo", disse.

"Existem coisas que precisam ser corrigidas. Mas não houve erros estruturais que afetassem o evento", confirmou Luis Fernandes, secretário-executivo do Ministério dos Esportes, que admite que ganhou cabelos brancos.

Ele admite que os atrasos nos estádios "sobrecarregaram" a organização. Mas, mesmo assim, o governo e a Fifa comemoraram os resultados financeiros. Segundo os dados oficiais, os turistas estrangeiros que vieram ao País este ano já gastaram US$ 365 milhões até o dia 18 de junho, um número 24% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, os gastos de brasileiros no exterior caíram 11%.

"A Copa gerou para o Brasil um duplo efeito benéfico: aumentou os gastos de estrangeiros e diminuiu nossos gastos no exterior", disse Aldo, "o que ajuda a equilibrar as contas públicas". O incremento na receita, de acordo com o ministro, está diretamente relacionado à Copa do Mundo, que foi responsável pela criação de quase um milhão de empregos diretos e indiretos.

Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, foi outro que já comemorava. "Não sei se já é a Copa das Copas, mas está no caminho de ser Copa das Copas", disse.

RIVALIDADE

Mas o CEO do Comitê Organizador Local, Ricardo Trade, admite que a Copa não acabou. "Temos muito trabalho ainda pela frente e não podemos relaxar", disse. Um aspecto que tranquiliza os organizadores é que a Copa passará a ser disputada em um número menor de estádios.  

Mas todos apontam que o grande desafio a partir de agora será evitar que a rivalidade entre torcidas se transforme em violência. "O fator de preocupação é o caracter decisivo dos jogos", disse Fernandes. "Isso tende a exaltar os ânimos de torcedores e medidas precisam ser tomadas", afirmou. "O grau de rivalidade também afeta", admitiu.

Hoje, Brasil enfrenta o Chile e a Colômbia joga contra o Uruguai. Na próxima rodada, Brasil e Uruguai podem se enfrentar. Nas semi-finais, Argentina e México pode também ser um dos confrontos. Mas a maior preocupação é com uma final entre Argentina x Brasil, o que já exige um planejamento de segurança especial.

Rebelo garantiu a segurança para o jogo deste sábado no Maracanã, que deverá levar milhares de torcedores colombianos e uruguaios às imediações do estádio. "Creio que todos os cuidados podem e devem ser adotados", considerou, destacando o reforço no número de homens. "Os esquemas são rigorosos da polícia civil, polícia militar, polícia federal, forças armadas", disse.

Já Valcke preferiu não dar qualquer detalhe da avaliação interna da Fifa e apenas citou a qualidade do futebol em campo. "Essa Copa vai permanecer como uma das melhores jamais vista em termos de futebol", disse o dirigente, que apontou os 136 gols e uma média de 2,6 por partida. "O Brasil é o lugar para estar", completou. 

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