TV Estadão | 16.02.2015
Jornalistas do 'Estado' analisam as chances de Corinthians, São Paulo, Atlético Mineiro, Cruzeiro e Inter TV Estadão | 16.02.2015

Rivalidades locais dão o tom na disputa desta Libertadores

Corinthians e São Paulo, Atlético-MG e Cruzeiro, os argentinos... O torneio que começa nesta terça promete emoção forte 

Gonçalo Jr, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 19h30

As rivalidades locais prometem tornar ainda mais intensa e dramática a Libertadores em 2015. Em condições normais o torneio já retrata o exagero de Nelson Rodrigues ("é hora de amarrar as chuteiras com as próprias veias). Agora imagine esse cenário potencializado pela rixa dos vizinhos de muro...

Dos cinco brasileiros, dois paulistas (São Paulo e Corinthians) e dois mineiros (Atlético e Cruzeiro), têm um torneio particular que só os dois vão disputar. Apenas o Internacional está livre dessa angústia, mas conquistou seu título sul-americano em cima do São Paulo, em 2006. A rixa, aqui, é interestadual. O Inter estreia nesta terça e inicia sua luta pelo tricampeonato contra o The Strongest na Bolívia, na altitude de La Paz. Os gaúchos têm um grupo difícil, com Emelec e Universidad de Chile.

Os argentinos também terão de resolver suas intrigas internas na Libertadores. Pela primeira vez na história os quatro gigantes (Boca Juniors, River Plate, San Lorenzo e Racing) estão juntos no torneio. Sai faísca quando rivais se encontram. O exemplo mais recente foi a final da Copa do Brasil entre os mineiros. "Foi melhor vencer a Copa do Brasil em cima do Cruzeiro do que a Libertadores no ano passado", comparou o ex-atleticano Diego Tardelli.

Foram igualmente incandescentes os jogos entre Corinthians e Palmeiras nas quartas de final de 1999 e nas semifinais de 2000 pelas Libertadores. Foi nessa época que o goleiro Marcos se tornou santo e ganhou o apelido que carrega até hoje. E Marcelinho ficou marcado pelo pênalti perdido.

PRIMEIRA VEZ

O confronto entre São Paulo e Corinthians abre o Grupo 2 na quarta. Completam o chamado "grupo da morte" o atual campeão San Lorenzo e o uruguaio Danubio. Será a primeira vez que os rivais se encontrarão no torneio, mas eles têm sido figurinhas carimbadas na disputa. De 2000 para cá, o São Paulo marcou presença nove vezes e ganhou um título. O Corinthians tem oito participações e também uma conquista. "São times muito bons, com tradição, e que já ganharam a Libertadores. Será uma das edições mais difíceis dos últimos anos", disse Luis Fabiano.

Os treinadores também falam em um momento singular. "Clássico é clássico em qualquer campeonato. É uma coisa diferente mesmo", afirmou o técnico Muricy Ramalho. "São dois campeões mundiais, isso é muito grande. Isso é orgulho para as duas torcidas", afirmou o corintiano Tite.

Os mineiros ainda não têm data marcada para o duelo, mas podem se encontrar nas próximas fases – os dois têm potencial para ir longe. Esta Libertadores é superlativa na musculatura dos concorrentes. É a edição com mais times que venceram o torneio. São 14, um a mais do que em 2011. Todos os brasileiros já levantaram a taça.

O São Paulo foi campeão em 1992, 1993 e 2005; o Corinthians acabou com a maldição em 2012, o Internacional tem duas conquistas (2006 e 2010), assim como o Cruzeiro (1976 e 1997). E o Atlético-MG foi o último a sentir o gostinho de dominar a América, ganhando a edição de 2013.

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Opinião - Competição será muito especial para os times argentinos

Jornalista analisa as possibilidades e comenta a esperança dos times argentinos na Libertadores da América

Cristian Grosso é editor de Esportes do jornal argentino La Nación, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 20h39

Esta Copa Libertadores será muito importante para as equipes argentinas, diria que é mais importante das últimas décadas. Por quê? Porque, pela primeira vez na história, quatro grandes equipes estarão na disputa: San Lorenzo, Boca, River e Racing. Isso nunca ocorreu antes.

Além disso, para os quatro times esta é a grande prioridade do primeiro semestre do ano, o objetivo dos quatro é ganhar a Copa. O San Lorenzo porque é o campeão, o Boca porque tem um romance eterno com ela, o River porque no plano internacional tem muitas contas pendentes e no caso do Racing porque nunca mais conseguiu vencer uma Libertadores desde 1967.

E ainda passaram pela fase preliminar o Estudiantes – que já foi campeão quatro vezes e o Huracán, clube muito popular que não disputava a competição havia 41 anos. Ou seja, a Copa Libertadores é o torneio que desperta o interesse de todas as equipes argentinas e este ano estão todas determinadas a ganhá-la.

E também, como o campeonato nacional será longo, de fevereiro a novembro, pela primeira vez desde 1991, as equipes sabem que podem descuidar um pouco dele para se dedicar com exclusividade à Libertadores. 

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Times mineiros estão mais bem preparados do que o Internacional

Atlético e Cruzeiro começam a competição em um nível superior ao da equipe gaúcha, que joga nesta terça-feira na altitude de La Paz

O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 20h55

Entre os outros três brasileiros que disputarão a competição, Atlético-MG e Cruzeiro estão num patamar acima do Internacional. Os dois dominaram o futebol nacional em 2014 (o Atlético ganhou a Copa do Brasil e o Cruzeiro conquistou o Brasileiro pelo segundo ano seguido), não mudaram de técnico (Levir Culpi e Marcelo Oliveira, respectivamente), contrataram bons reforços e estão em grupos fáceis.

O Colorado tem um treinador novo – o uruguaio Diego Aguirre – que está sofrendo para dar padrão de jogo ao time e caiu numa chave mais complicada.

O Atlético-MG é o único time com 100% de aproveitamento no Campeonato Mineiro, e seu rendimento vem melhorando jogo a jogo. O elenco perdeu seu principal jogador com a venda de Diego Tardelli para o Shandong Luneng, da China, mas a diretoria mostrou agilidade e trouxe para o seu lugar o argentino Lucas Pratto, que era cobiçado por vários clubes brasileiros.

Ele não poderá jogar na estreia contra o Colo Colo em Santiago porque sofreu uma lesão muscular na partida de domingo passado contra o Democrata, e será substituído por Jô – que não faz um gol há nove meses e quase foi dispensado por problemas disciplinares.

O Cruzeiro sofreu muitas baixas no elenco campeão brasileiro. Saíram Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Egídio e Marcelo Moreno, e o zagueiro Dedé está fora da primeira fase por causa de uma lesão. Mas com os reforços contratados – o atacante Leandro Damião, os chilenos Mena (lateral-esquerdo) e Seymour (volante), o meia uruguaio De Arrascaeta e o atacante colombiano Riascos, o técnico Marcelo Oliveira acredita que tem um grupo forte à disposição. E o fato de estar em uma chave fácil ajudará o time a ir se encorpando para chegar forte às fases decisivas.

ALTITUDE

O Inter também luta para se entrosar, mas sua missão é mais difícil porque terá uma primeira fase mais espinhosa do que o Cruzeiro. Para começar, o time estreará nesta terça enfrentando o The Strongest na altitude de 3.600 m de La Paz – sempre um drama para os brasileiros. E cabe lembrar que ano passado a equipe boliviana conseguiu chegar às semifinais da Libertadores.

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O São Paulo sempre fez da Copa Libertadores uma obsessão

Muricy desdenha da pressão imposta pelo presidente Aidar e sabe que a vaga não virá no primeiro jogo do grupo, contra o Corinthians

Gonçalo Jr., O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 20h17

O São Paulo vai começar o torneio sem o time ideal de Muricy Ramalho. O argentino Adrian Centurión, o principal reforço para o torneio sul-americano, não poderá atuar nas duas primeiras partidas por causa de uma suspensão de dois jogos imposta pelo Conmebol quando ainda atuava pelo Racing em 2013. A diretoria tricolor descobriu a punição na semana passada.

"Essa punição pegou a gente de surpresa, mas vamos escalar o que temos", lamentou o treinador após a goleada por 5 a 0 sobre o Bragantino pelo Campeonato Paulista, quando Centurión fez sua estreia.

O argentino é a esperança para deixar o time com mais "profundidade", termo usado por Muricy para traduzir maior poder ofensivo e mais chutes a gol. Volta e meia ele reclama da falta de agressividade. Nesse contexto, o treinador também queria um jogador de velocidade para atuar pelos lados do campo, o antigo ponta. Chegou Jonathan Cafu, da Ponte Preta, um dos nove reforços são-paulinos. Os outros foram Carlinhos, Breno, Bruno, Daniel, Thiago Mendes, Cafu, Centurión e Doria – e Wesley vai se incorporar ao elenco assim que terminar seu contrato com o Palmeiras, no fim do mês.

O meio-campo é o ponto forte do São Paulo. Jogadores habilidosos como Ganso, Michel Bastos, Maicon, Souza e Thiago Mendes oferecem inúmeras opções para o treinador. Os cuidados com a defesa e o meio têm explicações na contratação de reforços. O zagueiro Dória estreou bem na goleada sobre o Bragantino e não deve ficar fora da equipe.

SEM PRESSÃO

O treinador ressalta que o jogo desta quarta é apenas o primeiro da fase de grupos e que, portanto, não vai decidir a classificação. E os jogadores concordam. "Ainda teremos cinco jogos para definir a classificação. Precisamos controlar a ansiedade", afirmou Alan Kardec, que deverá ser o parceiro de Luis Fabiano na frente.

O grande trunfo do São Paulo foi a manutenção do base do ano passado, que foi vice-campeão brasileira. O time perdeu apenas Alvaro Pereira e Kaká, e fez boas contratações como Carlinhos e Bruno, que transformaram as laterais na principal arma ofensiva da equipe.

O São Paulo inicia sua participação no torneio que já venceu três vezes em clima de instabilidade. Embora a campanha no Campeonato Paulista seja boa - quatro vitórias e um empate -, o presidente Carlos Miguel Aidar pressiona abertamente a comissão técnica pela conquista de títulos. A cobrança pegou mal no elenco. "Você mesmo se pressionar é uma coisa que eu nunca tinha visto", disse Muricy. Em outras palavras, a Libertadores continua sendo uma obsessão dentro do clube.

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Corinthians tem motivos para sonhar com o bi do torneio

Time atropelou o Once Caldas na fase preliminar da competição e mostrou que tem recursos técnicos e gana para ir longe na disputa

Raphael Ramos, O Estado de S. Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 19h50

O que antes era preocupação, virou motivação para o Corinthians. A pré-Libertadores diante do Once Caldas foi o primeiro desafio para Tite, técnico do vexame de 2011, contra o Tolima, na mesma situação. Mas a maneira como a equipe jogou as duas partidas (goleada por 4 a 0 no Itaquerão e empate por 1 a 1 em Manizales) animou os corintianos para a sequência do torneio.

Em pouco mais de um mês de trabalho desde o seu retorno ao clube, Tite já conseguiu fazer com que a equipe apresentasse a consistência defensiva que notabilizou o Corinthians durante a sua passagem vitoriosa, entre 2010 e 2013. O treinador soube aproveitar a base deixada por Mano Menezes e acrescentou alguns conceitos que aprendeu durante o ano sabático, no qual viajou para a Europa para estudar. Não à toa a equipe chegou a ficar 500 minutos sem sofrer gol neste início de temporada até ser vazada diante do Once Caldas no jogo de volta.

No ataque, o Corinthians é hoje um time que toca melhor a bola do que nos tempos de Mano Menezes. Assim, a equipe consegue controlar a partida e evitar que o adversário pressione a defesa. Elias passou a jogar mais adiantado para apoiar os homens de frente. Com esse novo desenho tático, são frequentes as vezes em que o volante chega de surpresa no ataque e pega o adversário desprevenido.

Outra arma do Corinthians para conquistar o bicampeonato da Libertadores é Emerson Sheik. O atacante retornou à equipe depois de passar seis meses emprestado ao Botafogo. Tite chegou a dizer que Emerson só iniciou o ano como titular porque Malcom estava com a seleção Sub-20. E Sheik soube aproveitar a chance. O primeiro gol do Corinthians na Libertadores foi marcado por ele, um golaço, reforçando sua condição de jogador que costuma brilhar em partidas importantes.

Apesar de o Corinthians estar no chamado "grupo da morte" com São Paulo, San Lorenzo (Argentina) e Danúbio (Uruguai), Tite confia que a equipe pode avançar – e bem – para as oitavas de final. Pelas contas da comissão técnica, o time tem de ganhar os três jogos em casa e roubar pontos fora.

Contra o San Lorenzo, por exemplo, na segunda rodada, o Corinthians terá a seu favor o fato de que a partida será disputada com portões fechados – o clube argentino foi punido pela Conmebol por incidentes no jogo diante do River Plate pela final da Recopa Sul-Americana. Na Libertadores, o apoio da torcida pode fazer a diferença, e jogar num campo vazio na Argentina é uma vantagem e tanto.

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