Rivellino: "Me tornei uma pessoa triste"

Roberto Rivellino não é mais diretor-técnico do Corinthians. Oficialmente, entregou o cargo por entender que não tinha como ajudar o clube. "Já havia dito que se não tivesse condições de trabalho iria embora." A diretoria ainda não definiu quem vai ocupar o cargo. Mas o primeiro caminho já foi traçado: não deve ser nenhum ex-jogador, como Rivellino, sem experiência para comandar o departamento de Futebol profissional. Quem vai definir o nome do novo diretor-técnico é o vice-presidente de Futebol, Antonio Roque Citadini, que volta a ter plenos poderes no futebol profissional. Mas, ao contrário de sua última decisão, quando Citadini inventou a dupla Júnior e Rivellino, e se deu mal politicamente no clube, desta vez o cartola vai pensar muito bem antes da escolha. Três nomes já dividem as especulações para o lugar de Rivellino: Edvar Simões, que já respondia pelo cargo antes de Rivellino; Paulo Angioni, que trabalhou no Parque São Jorge em 97, pouco antes da chegada de seu desafeto Vanderlei Luxemburgo; e Henrique Alves, uma solução caseira, lembrado por conhecer o clube e por ter ocupado vários cargos importantes no Corinthians. Rivellino disse que sofria enorme pressão e precisava cuidar da saúde. "Diante de tanto desgaste, tornei-me uma pessoa triste. Tudo o que acontecia era culpa do Rivellino. Já estava fumando três maços de cigarro por dia. Decidi sair também por isso." Na verdade, se não tivesse saído por livre e espontânea vontade, Rivellino seria demitido. A diretoria não suportava mais ouvir o diretor-técnico dizer que iria embora se o clube não arranjasse dinheiro para trazer reforços de ponta. Rivellino também colocou em xeque o futuro do time ao dizer que o Corinthians seria um sério candidato ao rebaixamento no Campeonato Brasileiro se a diretoria não trouxesse os tais "medalhões". O próprio Rivellino não voltou atrás em suas afirmações hoje, ao ratificar sua saída. Mesmo fora, continua achando que o time vai encontrar sérias dificuldades no Brasileiro. "Você não pode afirmar se o Corinthians vai cair ou se vai ser o campeão. Mas não se pode deixar de reconhecer que no Brasileiro há equipes muito mais qualificadas do que no Paulista, quando já enfrentamos dificuldades. Além disso, este ano caem quatro clubes. O risco é maior para todo mundo."

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