Diego Haliasz/Divulgação
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Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 07h00

O torcedor do River Plate viveu de tudo nas últimas três temporadas. O clube de 113 anos de história conheceu, pela primeira vez, o drama do rebaixamento. Um ano depois, voltou à elite do futebol argentino e, dali a duas temporadas, sagrou-se campeão do Torneio Final ao superar o arquirrival Boca Juniors, em maio passado. A conquista deu ao River a chance de voltar à Libertadores depois de seis anos longe da competição. Agora, a cinco meses do início do torneio continental, a equipe argentina é a líder isolada do Nacional depois de sete rodadas disputadas.

Comandado pelo técnico Marcelo Gallardo, ex-meia do clube entre 1992 e 1999, o time tem quatro pontos de diferença em relação ao Lanús, segundo colocado, mesmo com um jogo a menos no Torneio Transição. Logo no começo da disputa, já chegou à marca de seis vitórias seguidas - na última rodada fez 4 a 1 no Independiente no Monumental de Nuñez e alcançou também o posto de melhor ataque entre os 20 participantes. Teófilo Gutiérrez, autor de sete gols, é o artilheiro máximo. Nesta quinta-feira, o River Plate volta a campo em partida adiada da sétima rodada (enfrentará o Arsenal, de Sarandí, fora de casa).

A boa fase do time argentino também passou pela conquista do supercampeonato, que o colocou frente a frente com o campeão do Torneio Inicial da temporada  2013/2014 - o título ficou com San Lorenzo, que levantou a taça em dezembro do ano passado. No tira-teima, o River fez 1 a 0 e, de quebra, garantiu vaga na  Sul-Americana deste ano. A equipe enfrentará o Libertad nas oitavas de final e poderá encontrar um dos brasileiros (Bahia, Goiás, São Paulo e Vitória) na final. O arquirrival Boca Juniors seria um dos possíveis adversários na semi, o que certamente faria a Argentina parar. A briga, agora, é para voltar à rota de título na América do Sul, fato que não ocorre desde 1996, quando a geração de Francescoli, Sorín, Ortega e Crespo conquistou o bicampeonato da Libertadores.

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Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 07h00

Os piores dias da história centenária do River Plate começaram a virar realidade no segundo semestre de 2008, logo após a equipe faturar o 34.º título nacional. No Torneio Clausura, o time da parte norte da Argentina foi o último colocada do campeonato, somando 14 pontos em 19 partidas (duas vitórias, oito empates e nove derrotas). No Apertura, o River Plate conseguiu melhorar e chegou à oitava colocação depois de conquistar 27 pontos em 57 possíveis.

A má fase se repetiu na Libertadores daquele mesmo ano, a última disputada pelo clube. No Grupo 3, o River acabou eliminado ainda na fase de grupos. Em seis jogos, venceu apenas dois e viu Nacional do Uruguai e Universidad de San Martín garantirem as duas vagas da chave.

A sequência de campanhas ruins no Nacional foi determinante para a queda em junho de 2011. A equipe foi 14.ª no Apertura de 2009 e 13.ª no Clausura de 2010. Na  temporada seguinte, conseguiu ficar nas primeiras posições (quarto e nono lugares), mas não evitou o vexame do rebaixamento. No Campeonato Argentino, o rebaixamento é definido pela média de pontos dos dois campeonatos anteriores, além da pontuação obtida na edição atual. 

Os dois últimos colocados são degolados diretamente, enquanto os dois seguintes disputam um mata-mata contra o terceiro e o quarto colocados da segunda divisão. Dessa  forma, ao terminar a contagem na 18.ª colocação, o River Plate decidiria sua permanência na elite com o Belgrano, de Córdoba. Na primeira partida, o time bateu o River por 2 a  0. Na decisão, o empate por 1 a 1 confirmou o descenso.

REFORÇO

Para retornar à Série A, o River Plate contou com o talento de Trezeguet e Cavenaghi (que ainda joga pelo clube após passar pelo futebol espanhol). Juntos, eles foram responsáveis por 32 gols dos 66 marcados na campanha que levou o clube de volta à elite. No banco, o técnico Matias Almeyda, que estava em campo no rebaixamento e assumiu o cargo logo depois da queda. Na campanha, o time somou 73 pontos e garantiu o acesso ao bater o Almirante Brown por 2 a 0, com dois gols de Trezeguet.

Dois anos depois do retorno, o River conquistou o campeonato nacional pela 35.ª vez. Com 37 pontos, superou Estudiantes e Gimnasia y Esgrima, que somaram 32 pontos cada. No jogo do título, fez 5 a 0 no Quilmes. Os gols foram marcados por Cavenaghi (duas vezes), Téo Gutierrez, Mercado e Ledesma. Após a conquista do supercampeonato sobre o San Lorenzo, seis dias depois, Ramón Díaz, ex-jogador do clube entre 1978 e 1981, deixou o cargo de treinador. Marcelo Gallardo assumiu o comando.

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Diego Salgado, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2014 | 07h00

A partir do começo do ano que vem, o River Plate lutará pelo tricampeonato da Libertadores, no retorno à competição depois de seis anos sem disputá-la. O clube argentino tem tradição no torneio: no total, já disputou 291 jogos em 30 edições, desde 1966, mas amargou fase ruim e ficou por um tempo fora da América. Quando era uma das principais forças da competição sul-americana, o time do Monumental de Nuñez protagonizou alguns confrontos memoráveis contra equipes brasileiras.

Quase sempre, porém, os argentinos levaram a pior. O River acabou eliminado em três semifinais do torneio, por três times diferentes: São Paulo (2005), Palmeiras (1999) e Vasco (1998). Em 1976, a equipe da Argentina  foi derrotada pelo Cruzeiro na final, depois de disputar três jogos. O Grêmio também aprontou para cima do clube ao vencê-lo nas oitavas de final da edição de 2002. Em sua nova versão, o River Plate surge na Argentina para retomar seu lugar no futebol sul-americano, e voltar a assombrar a América. 

Na boa fase, quem mais sofreu com o time argentino foi o Corinthians. Por duas vezes, o time alvinegro foi eliminado pelo rival na Libertadores, nas edições de 2003 e 2006, sempre na luta por uma vaga nas quartas de  final da competição. Em 2003, D'Alessandro comandou o time argentino nas duas vitórias por 2 a 1. Três anos depois, Higuaín marcou dois gols na partida de volta, no Pacaembu, e garantiu a classificação e a vitória por 3 a 1.

Outros três times brasileiros já enfrentaram o River em Libertadores: Atlético-MG (1978), Flamengo (1982) e Paulista de Jundiaí (2006) mediram forças com o 'Gigante de Nuñez' em  fases de grupos. Os cariocas venceram as duas partidas. Nos outros confrontos, houve uma vitória para cada lado.

BICAMPEÃO

O atual campeão argentino ergueu a taça da Libertadores duas vezes, em 1986 e 1996. Há 28 anos, sob o comando de Pumpido,  Ruggeri, Gallego e Troglio, o time bateu o América de Cali nas duas finais (2 a 1 na Colômbia e 1 a 0 no Monumental de Nuñez). Menos de dois meses depois,  levantou a taça mais importante da sua história: a do Mundial de Clubes da Fifa. Na decisão, derrotou o Steaua Bucareste por 1 a 0, com gol do atacante Alzamendi.

Dez anos depois, novo título continental, mais uma vez sobre o América de Cali. Com o time de estrelas (Burgos, Ayala, Aymeida, Astrada, Sorín, Ortega, Gallardo, Francescoli e Crespo), a equipe reverteu a vantagem de um gol obtida pelos colombianos em casa e fez 2 a 0 no Monumental - com dois gols do atacante Crespo. No Mundial da Fifa, a poderosa Juventus, de Zidane e Del Piero, acabou com o sonho do bi mundial ao ganhar por 1 a 0.

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