River promete resposta com "nobreza"

"Hay que meter presión", era a frase mais ouvida entre os torcedores do River que formavam poucas filas na segunda-feira à tarde no Estádio Monumental de Nuñez, em Buenos Aires, em busca de ingressos para a partida de quarta-feira contra o São Paulo. Mas, se serve de consolo, a pressão se refere apenas à partida. Pressão dentro de campo, tentando impedir a saída de bola são-paulina. Nada mais. A previsão é de que os 65.646 ingressos colocados à venda se esgotem. Os mais baratos já terminaram e até segunda-feira faltavam apenas nove mil a serem vendidos. O Monumental estará lotado. O presidente José Maria Aguilar e o treinador Leonardo Astrada trataram, desde quinta-feira passada, de acalmar torcedores que estavam muito irritados com a recepção que tiveram no Brasil, com o apedrejamento dos ônibus que os levaram ao Morumbi. "Vamos responder a tudo com muita nobreza", disse Aguilar. "O River vai ganhar o jogo em campo", completou Astrada. Com a derrota de 3 a 0, domingo, para o Rosario Central, ficou muito difícil para o River conseguir a classificação para a Libertadores de 2006. Algo que não tira o sono de Astrada. "Vamos disputar a Libertadores de 2006 porque vamos ganhar a de 2005. Tenho certeza disso", avisou. Os torcedores chegam a mostrar certa irritação quando se pergunta sobre a possibilidade de pessoas ficarem em frente ao hotel do São Paulo vaiando a equipe ou fazendo ameaças. "Isso é coisa dos ?bosteros?, não de torcedores do River", diz Javier Mendoza, estudante de 22 anos, referindo-se aos torcedores do Boca, chamados de "bosteros", apelido que assumiram com tranqüilidade. A Polícia não levará um dispositivo extra de policiais para a partida. Serão 700, bem menos que os 1.200 que se disponibiliza para um clássico contra o Boca, por exemplo. Parte dos torcedores entende que o que houve no Brasil foi uma briga mais com a Polícia do que com os são-paulinos. "Os torcedores do São Paulo terão toda a proteção necessária na partida. Tenho certeza de que não haverá incidentes e que a partida vai ser decidida entre os jogadores", diz Eduardo Granuc, o responsável pelo policiamento no dia do jogo. "E, pelo que me contaram, o que aconteceu no Brasil é que os torcedores do River bateram na Polícia e não o contrário", diz, com um risinho irônico. Todo o discurso e a aposta em tranqüilidade esbarram, porém, nos terríveis "Los Diablos del Tablón", a mais violenta torcida organizada de toda a Argentina. Havia 300 deles no Brasil, na linha de frente da briga contra a Polícia. En Buenos Aires, no entanto, estarão em sua totalidade, cerca de 1.500 integrantes.

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