Agustin Marcarian/Reuters
Agustin Marcarian/Reuters

River supera o Atlético Nacional e é o campeão da Sul-Americana

Time do técnico Marcelo Gallardo faz 2 a 0, com dois gols de cabeça e levanta uma taça internacional após jejum de 17 anos sem títulos

O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2014 | 01h18

Com o River Plate campeão da Copa Sul-Americana depois de 17 sem nenhum título internacional, o Monumental de Nuñez viveu uma noite de muita festa quarta-feira à noite, em Buenos Aires. Entre tantas celebrações, talvez nenhuma tenha sido tão emocionada quanto a do técnico Marcelo Gallardo e seu filho Nahel, após o segundo gol da vitória por 2 a 0 sobre o Atlético Nacional, de Medellín.

Um dos maiores ídolos da história contemporânea do River desde os tempos de jogador, Gallardo, de apenas 38 anos, perdeu a mãe às vésperas do jogo semifinal contra o Boca Juniors, considerado o clássico mais importante do século. Aguentou a barra e viu o River ganhar do maior rival para voltar a uma decisão internacional.

Quando o River marcou o segundo gol da final contra o Atlético, com Pezzella, Gallardo fez a sua festa particular e seguiu para comemorar ao lado do filho de 16 anos, jogador das bases do River Plate, e que, como de costume, trabalhou como gandula na decisão. O abraço paternal marcou o jogo e a conquista histórica.

Já depois do fim do jogo, outra cena histórica. Ainda no gramado, emocionado, disse às TVs que "foi difícil. Passaram muitas coisas nesse semestre. Agradeço aos jogadores porque entenderam como tinham que jogar, foram muito solidários". Ao terminar a entrevista, com os olhos marejados, deu um abraço forte no repórter e desabou em choro.

Um dos dois maiores times da Argentina, com 113 anos de história, o River Plate viveu tempos amargos recentemente. Em crise técnica e financeira, caiu para a segunda divisão em 2011. No fundo do poço, começou a se reinventar, inclusive com a chegada ou o retorno de ídolos, entre eles David Trezeguet.

A volta por cima começou este ano, com o título do Torneio Clausura e da Superfinal (contra o San Lorenzo), fazendo do River o campeão argentino da temporada 2013/2014. Ramón Díaz pediu demissão e Gallardo, um meia ofensivo formado no clube e com duas longas passagens por Nuñez foi contratado para ser o treinador.

Com ele, o River passou a ser um time vistoso, que toca fácil a bola e manda no jogo. Foram 31 jogos de invencibilidade, contando todos os torneios, até que a sequência de partidas seguidas no fim do ano pesou e o River deixou o Racing tomar a dianteira no Argentino. Domingo, para ser campeão, o River precisa vencer o Quilmes e torcer por derrota do Racing para o Godoy Cruz.

Na Copa Sul-Americana, o título veio de forma invicta, repetindo o que fez o São Paulo de 2012. Haviam sido seis vitórias seguidas (Godoy Cruz, Libertad-PAR e Estudiantes) até o primeiro empate, contra o Boca, em La Bombonera. A vitória por 1 a 0 no Monumental, na volta, aconteceu dois dias após a morte da mãe de Gallardo.

Na primeira partida da final, empate em 1 a 1 com o Atlético, em Medellín. A vitória diante de um Monumental de Nuñez lotado veio com dois gols seguidos de cabeça, após cobranças de escanteio. Mercado fez aos 10 do segundo tempo e Pezzella marcou aos 15. O argentino Armani, goleiro do time colombiano, já havia salvado do Atlético em diversas oportunidades.

Campeão da Libertadores e do Mundial em 1986 e da Supercopa do ano seguinte, o River não vencia nenhum título internacional desde as conquistas da Libertadores de 1996 e da Supercopa de 1997, na última fase gloriosa da equipe. Na época, Marcelo Gallardo era um dos principais jogadores do time.

A conquista do River também deixa a Argentina como soberana na América do Sul no ano. Afinal, o San Lorenzo ganhou a Libertadores e a seleção argentina foi vice-campeã da Copa do Mundo.

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