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Roberto Carlos admite comprar União

Há duas semanas, o presidente do União São João de Araras, José Mário Pavan, num misto de desânimo e desespero, disse que pretendia deixar o clube. E torcia para que alguém da cidade aceitasse o desafio de tocar para frente o futebol do primeiro clube-empresa do Brasil. O dirigente só não esperava que tão cedo aparecesse um interessado no negócio. O pretendente é de peso: Roberto Carlos, pentacampeão mundial pelo Brasil, lateral-esquerdo do Real Madrid e um dos jogadores mais bem-sucedidos da atualidade. O jogador surpreendeu a todos ao admitir na Rádio Clube Ararense, nesta manhã de terça-feira, que pode comprar o clube. ?Já cheguei a conversar com o Pavan. Se ele quiser vender, estou disposto a comprar." E apresentou ainda um motivo sentimental para sua eventual atitude. ?Não seria um investimento, mas uma retribuição ao União que me proporcionou tudo que tenho na vida." Como que num sonho de garoto, ele disse que colocaria seu pai, Oscar Silva, como presidente. Roberto Carlos foi revelado pelo clube de Araras, onde ficou de 1990 a 1992, antes de se transferir ao Palmeiras. Depois fez sucesso na Itália e agora na Espanha. Mas sempre que visita os parentes na cidade faz questão de passar no clube, rever os amigos e matar a saudade. Sua passagem na cidade desta vez teve outra razão: ele assinou sua separação. À noite voltou para Madri. O jogador esteve no Fórum de Araras, numa audiência com o Juíz Valter Ariete dos Santos, onde ficou por cerca de três horas. Ele estava com a sua advogada, Lola Vainstok França, enquanto que Alexandra, sua ex-mulher, estava acompanhada por Marco Aurélio Cattani. Dois seguranças particulares cuidavam do casal, enquanto duas viaturas da Ronda Escolar da Polícia Militar reforçavam a segurança entre os horários das 9h30 e 12h30, com cerca de dez policiais militares. No final da audiência Roberto Carlos foi muito gentil com a imprensa e com os funcionários do Fórum, dando autógrafos e posando para dezenas de fotos com os fãs. Numa rápida entrevista, a pedido de sua advogada, ficou combinado que o jogador só falaria sobre futebol e que não responderia sobre a sua separação. Surpresa - Até o presidente Pavan ficou surpreso com a manifestação do jogador. Tanto que pediu ao radialista Ederaldo Poy que levasse a fita com a reportagem até o seu escritório. O dirigente custou a acreditar na disposição de Roberto Carlos, mas relembrou alguns fatos interessantes. Um deles é que esteve na Espanha em fevereiro e conversou bastante com o lateral. ?Na ocasião ele me confidenciou que um dia, talvez no fim de carreira, compraria um clube. Só não me disse que seria o União", disse Pavan, ainda perplexo. Os dois não voltaram a conversar, mas o dirigente, desgastado e com problemas de saúde, admite deixar os negócios. ?Estou pagando um preço alto por não aceitar o jogo dos empresários. Hoje todos ao clubes são de aluguel.? O União disputa o Campeonato Brasileiro da Série B e, no momento, é o lanterna. Embora não afirme que seu clube está à venda, Pavan lembra que há algum tempo encomendou uma auditoria para que fosse auferido seu valor. Chegou ao número de US$ 12 milhões. O patrimônio do União São João, além do passe de 36 jogadores, inclui o Estádio Hermínio Ometto, com capacidade para 15.300 torcedores, uma área de 140 mil metros quadrados com quatro campos de treinamento. Dinheiro, com certeza, não seria problema para Roberto Carlos, que possui um patrimônio de cerca de US$ 70 milhões, com direito a helicóptero e dezenas de imóveis.

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