Roberto Carlos pede Robinho no Real já

Roberto Carlos, há 10 anos titular indiscutível da seleção brasileira, não perde a pose, a sinceridade nem o bom humor. Na manhã desta terça-feira, na Granja Comary, visivelmente cansado da melancólica rotina de concentração, desceu do quarto para bater papo com os jornalistas, contar piadas, fazer deboches e falar do futuro. E como falou. Prometeu a conquista do hexacampeonato da seleção brasileira, em 2006, na Alemanha, disse que quer, também, ganhar mais uma Copa América, garantiu ter o desejo de cumprir os três anos de contrato com o Real Madrid para, depois, voltar para o Brasil e encerrar a carreira no Santos, seu clube de coração. O lado santista, no entanto, parece não ter tanto peso. O lateral-esquerdo sugere a Robinho, com ênfase, que deixe a Vila Belmiro já e se transfira para o Real ainda neste meio de ano. "No Real, o Robinho vai ter excelente estrutura para trabalhar, em pouco tempo ele vai ser o melhor jogador do mundo." Com um sorriso no rosto, chegou a comentar que Robinho se despediria do clube paulista na noite de hoje, no duelo com o Atlético-PR, em Curitiba, pela Libertadores. E brincou ao afirmar que Robinho vai morar em sua casa em Madri. O craque do Real, de 32 anos, milionário e famoso internacionalmente, deve ficar com a tarja de capitão contra o Paraguai - Cafu está suspenso - , domingo em Porto Alegre, em confronto no qual prevê boa vitória do Brasil. Pergunta - Você já tem 32 anos e vai disputar sua terceira Copa do Mundo em 2006. Se vencer, não pensa em parar para encerrar a carreira por cima, com um título de expressão? Roberto Carlos - Não. Jogo mais uns três ou quatro anos. Vou ganhar mais uma Copa do Mundo, mais uma Copa América, cumprir meus três anos de contrato com o Real Madrid e, depois, voltar para o Brasil para encerrar a carreira no Santos. Atualmente, não dá mais para jogar até os 40, porque a carga de jogos é pesada. Pergunta - Quem você vê como seu substituto? Quais são os melhores laterais do Brasil em sua opinião?Roberto Carlos - Hoje, no Brasil, gosto do Gustavo Nery (do Corinthians) e do Léo (do Santos). Jogando fora tem o Gilberto (Hertha Berlim) e o Serginho (Milan). Pergunta - Como espera a recepção da torcida em Porto Alegre? Normalmente o Brasil obtém bons resultados lá. Roberto Carlos - A qualquer lugar que a seleção brasileira vai é bem recebida. As poucas vaias são causadas por notícias que saem durante os treinos. Por exemplo: "Reservas ganham dos titulares no coletivo". Mas chega a hora do jogo e sempre dá tudo certo. Só que, se vaiarem o Brasil, vão vaiar a melhor seleção do mundo. Pergunta - O Robinho pode ir para o Real Madrid. O que acha? Se você fosse ele, iria agora ou esperaria mais algum tempo? Roberto Carlos - Eu iria já. No Real, ele vai ter a melhor estrutura para trabalhar, em pouco tempo vai ser o melhor jogador do mundo. Pergunta - Terminada a temporada, como analisa o trabalho do Vanderlei Luxemburgo no Real Madrid? Roberto Carlos - O Luxemburgo e o Mello (Antônio Mello, preparador físico) fizeram ótimo trabalho. Se eles tivessem chegado ao Real uns dois meses antes, nós teríamos conquistado títulos. O Vanderlei é um fenômeno como técnico. Basta ver que batemos o recorde de pontos no segundo turno. Infelizmente, perdemos para a Juventus na Copa dos Campeões... Pergunta - Ele não sofreu preconceito ao chegar à Espanha? Roberto Carlos - Não, porque todo mundo conhecia o Vanderlei. No começo, ele quis mudar muito rapidamente o sistema de trabalho, aumentar a carga de treinamento e antecipar as concentrações, mas conversamos com ele, nós nos adaptamos e ele também. Pergunta - O espanhol do Luxemburgo não causou problemas? Roberto Carlos - Nas preleções ele falava umas coisas engraçadas. O Vanderlei tinha aquela tecnologia dele, usava computador, mas, ao mesmo tempo, ficava tenso, porque não sabia falar o espanhol direito. Então não saía quase nada. Aí todo mundo ria e ele passava a falar em português.

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