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Robin Hood latino

Caberá a Brasil e Argentina a missão de impedir mais um sucesso europeu em Mundiais

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

03 de dezembro de 2017 | 03h00

Assim que saiu o nome do Japão, na última bolinha do sorteio de sexta-feira em Moscou, esparramaram-se pelo mundo as previsões em torno da Copa da Rússia. Inevitáveis, sempre acontecem. Com os grupos definidos, todos se põem a matutar sobre as seleções que avançarão para as oitavas, que caminhos serão percorridos até a decisão, quais os cruzamentos prováveis e os mais empolgantes.

E, para variar, a constatação gritante: os favoritos são os costumeiros – Alemanha e Brasil à frente –, com variações que incluem França, Espanha, Inglaterra, Argentina, não por acaso todas já campeãs alguma vez. Surpresas? Um ou outro atrevido sai do bom senso e vislumbra triunfo, quem sabe?, de Portugal, ou Uruguai, ou outro qualquer. Possível – e difícil.

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As projeções também consolidam o que salta à vista: os europeus tendem a manter hegemonia, não só no número de representantes na segunda fase da competição como nos momentos decisivos e no alto do pódio. Não há ciência nisso, apenas evidência. Desde que o torneio passou a contar com 32 equipes, em 1998, a turma do Primeiro Mundo da bola levantou a taça em quatro ocasiões: em 98 mesmo, além de 2006, 2010 e 2014. A exceção ficou para 2002, na Ásia (Coreia/Japão), com o pentacampeonato do Brasil de Marcos, Rivaldo, Ronaldinho e Ronaldo Fenômeno.

Não é por acaso que as prévias para 2018 tendem para um recorde dos gringos do Hemisfério Norte. Desta vez, entram com 14 vagas, uma a mais do que nas duas últimas edições, e podem ter 11 equipes nas oitavas. Impressiona, mas é assim. Ao menos na teoria.

Uma espiada nas chaves aponta Rússia e Uruguai como favoritos na A; Portugal e Espanha disparados na B; França e Peru ou Dinamarca na C; Argentina e Croácia (Islândia por fora), na D; Brasil e Suíça (ou Sérvia) na E; Alemanha e Suécia no F (o México como zebra). No Grupo G, Bélgica e Inglaterra, enquanto Polônia e Colômbia despontam como candidatas no H. Ou seja, pode ser um Europa x América do Sul a partir das etapas de mata-mata.

Não está fora de propósito esse quadro, embora o considere improvável. Não no que se refere à Europa; com tantas seleções, e com a qualidade que demonstram, continuará a dar as cartas. Provavelmente mais do que em 2010 e 2014, quando teve seis nas oitavas (mas chegou ao título) e quase no nível de 2006 e 1998, quando foram 10 classificadas nas oitavas (e os títulos).

Mas a probabilidade de um intruso não pode ser desprezada. Seria algo inédito na história recente do certame. Ainda com 1998 como parâmetro, sempre houve asiáticos, africanos ou alguém da Concacaf que passaram no funil da primeira peneirada, fora europeus e sul-americanos, claro. Às vezes, com mais generosidade (em 2002, México, EUA, Coreia, Japão, Senegal avançaram), em 2010 (EUA, México, Gana, Coreia do Sul, Japão), em 2014 (México, Costa Rica, EUA, Nigéria, Argélia). Ou com algum gato pingado, como em 98 (Nigéria, México).

Porém, o quadro é desolador para quem está fora do circuito Europa-América. Africanos, asiáticos, a turma da Concacaf e a solitária Austrália (esteve nas oitavas em 2006) não têm formações fortes. Podem comportar-se como fiéis da balança na escolha dos primeiros colocados e entram para fazer figuração e dar o caráter universal ao Mundial.

Tomara esteja equivocado. Mas, como acontece com regularidade na história, caberá a Brasil e Argentina o papel de Robin Hood na festa com cara e feitio dos ricos europeus. Tite e rapaziada, liderada por Neymar, assim como Sampaoli e muchachos com Messi de guia terão a missão de quebrar a onda. Têm competência para tal. Não custa lembrar que, em 10 Copas na Europa, a única vencida por forasteiro foi a de 58, na Suécia. Pelo Brasil de um tal Pelé...

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