Robinho amadurece com a crise

Com os técnicos Emerson Leão e Vanderlei Luixemburgo, o garoto Robinho aprendeu que deveria jogar com mais seriedade, sem abrir mão de sua capacidade técnica, reservando os desconcertantes dribles para os momentos de necessidade. Já com o seqüestro de sua mãe, Marina da Silva Souza, ele aprendeu que, mesmo para um ídolo como ele, é necessário viver em segurança.Foram esses dois fatores que mudaram o perfil do atleta, que está vivendo discretamente. Tanto que ele chegou na madrugada de ontem ao apartamento de sua mãe, tão logo terminou o desfile do título pelas ruas da cidade, e só saiu às 15h30 para ir a São Paulo receber um prêmio numa emissora de televisão.Robinho não chegou a tempo para a festa da entrega do troféu do Campeonato Brasileiro, na festa feita pela diretoria e que começou às 19 horas desta segunda-feira e deve continuar, como sua mãe, longe dos locais públicos nos próximos dias. Assim, ele terá oportunidade de refletir sobre seu futuro, depois de ter vivido o drama de ficar afastado 50 dias dos gramados por conta do seqüestro de dona Marina e recuperar, a partir da manhã de sexta-feira, quando ela foi libertada, a condição de bicampeão brasileiro e de um maior ídolo dos torcedores santistas de todos os tempos.Europa - Robinho sabe que seu futuro está na Europa e, mesmo com a preocupação com a segurança de sua famíla, sabe que esse sonho deve mesmo demorar pelo menos mais seis meses para ser concretizado. O presidente Marcelo Teixeira nem admite receber proposta de contratação do ídolo e até fica aborrecido com as indagações, enquanto o procurador do atleta, Wagner Ribeiro, está afinado com esse discurso. Tanto que ao saber que o empresário português José Varandas está no Brasil, tratou logo de informar que não seria recebido por ele nem por Teixeira para tratar desse assunto.Ribeiro comentou que a cabeça de Robinho agora está voltada apenas para a conquista da Copa Libertadores da América e ele não quer perder a terceira oportunidade de colocar esse troféu em seu currículo. "O Robinho só pensa na Libertadores e qualquer negociação só ocorrerá a partir do segundo semestre do ano que vem", comentou o procurador.Ribeiro estava em Madri negociando a transferência de Robinho quando Marina de Souza foi seqüestrada. Naquele momento, ele entendeu que seria uma razão a mais para o craque deixar o Brasil o quanto antes, mas o desenrolar da crise e a posição intransigente de Marcelo Teixeira mudaram as coisas e o Santos deverá continuar com seu maior ídolo da atualidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.