Robinho cada vez mais longe do Santos

A cada show de bola que Robinho dá, o torcedor santista vive uma situação conflitante. Enche os olhos com as belas jogadas, mas sabe que elas fatalmente o levarão para o futebol europeu o mais rápido possível. E até mesmo Deivid admitiu isso. Depois de comentar que o companheiro de ataque "esteve numa noite muito feliz em Americana", completou: "ele fez três gols e se continuar assim, logo logo vamos perdê-lo", numa alusão ao futuro do atleta, que jogará mesmo na Europa."É o sonho de todo jogador e, quando chegar o momento certo, poderei realizá-lo", disse Robinho nesta quinta-feira à tarde. Aproveitando o momento de relaxamento, chinelos nos pés, ele assistiu ao jogo treino dos reservas contra o São Vicente, time de sua terra natal. Depois, falou com os jornalistas sem a pressa que sempre costuma ter. Humilde, ele acha que chegar à artilharia é importante, "principalmente porque com os gols estou ajudando o time". Contra o Rio Branco, ele marcou três gols pela primeira vez em sua carreira e isso era um motivo de satisfação. "Espero continuar marcando três gols sempre e quebrar esse recorde quando tiver oportunidade. Que no próximo possa fazer três ou, quem sabe, quatro?", comentou, bem humorado.Com esses três gols, ele chegou a nove no Paulista e divide a artilharia com Finazzi, do América. "O importante é estar sempre fazendo os gols e se não der para eu fazer e os companheiros fizerem, fica bom do mesmo jeito". Por isso, coloca o título na frente da artilharia. "Se tivesse de escolher entre um e outro, claro que ficaria com o título".Nesta quinta ele foi informado por um jornalista que a camisa 7 do Santos está vendendo mais que a 10, imortalizada por Pelé. "Não estou sabendo disso, mas se deve ao bom trabalho e espero que possa continuar vendendo bem". Sabe, porém, que é o maior ídolo dos torcedores, principalmente dos mais novos. "Eu fico muito feliz sabendo que as crianças gostam de mim, que se espelham em mim e gostam de me ver jogar. Desejo a todos a mesma sorte que tive, de jogar futebol com alegria para que cada um que deseja ser jogador de futebol possa realizar seu sonho".Quanto às comemorações do gol, disse que não as planeja. "muitas vezes a gente nem sabe que tipo de comemoração vai fazer, mas ficamos tão felizes que às vezes acabamos nos extravasando". Importante mesmo para ele é comemorar com os outros jogadores do grupo. "Eles é que me ajudam na hora do gol", comentou.FORÇA - Robinho está fazendo um trabalho para ganhar massa muscular mas não sabe qual o resultado. "Acredito que ganhei entre três ou quatro quilos". Mas sente os efeitos: "estou um pouco mais fortes, os zagueiros não conseguem me derrubar com facilidade e isso está me ajudando bastante". Ele entende que o trabalho está sendo bem feito e toma um cuidado especial: "quero fazer o melhor, mas sem perder o que tenho de melhor que minha velocidade". Quanto ao progresso nas finalizações, atribui ao treinamento. "Não foi o trabalho para ganho de massa, tenho treinado bastante com o professor Oswaldo".Robinho, que viveu o drama do seqüestro de sua mãe no ano passado, acompanhou com interesse o problema idêntico vivido pelo atacante Grafite. "É difícil falar nisso. Passei por uma situação difícil e estava torcendo para que a mãe dele voltasse logo. Graças a Deus ela voltou e espero que ele possa estar jogando". E mandou um recado para o companheiro de profissão. "Desejo boa sorte para o Grafite. Que ele possa continuar jogando pelo São Paulo, fazendo os seus gols, mas só não pode fazer contra o Santos".

Agencia Estado,

25 de fevereiro de 2005 | 09h12

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