Robinho, do Real, pega o Corinthians

"Estou me sentindo como no momento em que recebi a notícia de que a minha mãe tinha sido libertada e o seqüestro dela tinha acabado". Essa foi a frase de Robinho para o presidente do Santos, Marcelo Teixeira, na manhã deste sábado, no CT Rei Pelé, ao responder como estava se sentindo após o desfecho de sua transferência para o Real Madrid. Para ir falar com o dirigente, que conversava com o técnico Alexandre Gallo, no meio do campo 3 do Centro de Treinamentos Rei Pelé, Robinho saiu da brincadeira de bobinho por uns minutos. À uma hora da madrugada de sábado, Robinho chegou à Vila Belmiro, acompanhado de um de seus agentes, Juan Figer, para colocar a sua assinatura no contrato de sua transferência para o Real Madrid. Era o fim da novela que se arrastava desde o dia 29 de junho. As negociações entre o Santos e os dirigentes do clube espanhol começaram às 23h30, por telefone, e com troca de faxes. Aos 30 minutos de sábado, o Real concordou em deixar o jogador até o dia 24 de agosto no Santos, para que ele complete a série de sete jogos de sua despedida, contra o Paysandu, em Belém, apresentando-se ao técnico Vanderlei Luxemburgo no dia seguinte, em Madrid. "Avisa o Armando que Robinho enfrenta o Corinthians e não dê mais nenhum detalhe", disse o presidente Marcelo Teixeira, com a voz embargada, ao assessor de imprensa Aldo Neto, ao desligar o telefone, no seu último contato com os dirigentes espanhóis. Robinho já não era mais do Santos, mas estava escalado para enfrentar o Corinthians, neste domingo, às 16h, na Vila Belmiro. O pedido de Teixeira era para que o apresentador do programa esportivo de todos os finais de noite, na sua emissora de televisão, a Santa Cecília, Armando Gomes, tivesse a primazia de dar a informação. E foi o que aconteceu. Durante toda a negociação, estiveram ao lado de Teixeira o vice-presidente Norberto Moreira da Silva e os diretores Luís de Souza Júnior e Mário Mello. As informações do agente Paulo Rogério Amoryti de que o Santos corria o risco de não receber nem mesmo os US$ 30 milhões da carta de fiança bancaria do Real, abalaram os dirigentes da Vila Belmiro. Quando reuniu parte da diretoria, membros do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização, composto de ex-presidentes) e integrantes da mesa e das comissões do Conselho Deliberativo, na última segunda-feira, Teixeira queria bater o martelo, aceitando as condições propostas pelo Real.Porém, o encaminhamento da votação foi mal conduzido e decidiu-se pelo prosseguimento da luta pelo pagamento integral da multa de US$ 50 milhões, em benefício do Santos. O que pegou nas negociações do final da noite de sexta-feira e início da madrugada de sábado foi a exigência do Santos que Robinho dispute mais seis jogos pelo clube. "É importante a presença de Robinho no time que passa por um momento de transição", disse Teixeira, o único que deu entrevista neste sábado, no CT Rei Pelé. Ele insistiu que não houve recuo da parte do Santos, embora suas condições de ou receber os US$ 50 milhões da multa livres ou só entregar o jogador após a Copa do Mundo de 2006 não tenham sido atendidas, e aproveitou para lembrar que até Pelé, que é autor da lei que leva o seu nome e conselheiro benemérito do Santos, aconselhou o clube a aceitar as condições do Real para não correr o risco de sofrer um grande prejuízo se o impasse chegasse à Fifa. Após assinar os documentos referentes à sua venda ao Real, Robinho voltou a dormir na concentração do Parque Balneário Hotel, no Gonzaga, em Santos, onde seus companheiros estavam recolhidos desde a véspera, à espera do jogo com o Corinthians. Acordou vários companheiros para dar a notícia e dizer que ia jogar. Só sossegou depois das 2h30. "Ele bagunça qualquer ambiente e sua alegria contagia a todos", disse Jorginho, que desde 1976 é motorista do ônibus que leva os jogadores do Santos para todos os cantos. O Baleia VII chegou à Vila Belmiro às 9h42. Robinho fez suspense e foi um dos últimos a saltar do ônibus, sorridente e com um boné azul marinho. Um de seus seguranças chegou em um carro, com seu material de treino. Participou do rachão, da roda de "bobinho", treinou chutes no gol e voltou com o time para a concentração, sem dar entrevista. Além do jogo deste domingo, se não houver nenhum outro tipo de acordo ou algum imprevisto, Robinho vai participar de outros seis jogos; Internacional-RS, em Porto Alegre, quarta-feira; Paraná Clube, no Paraná, domingo; Brasiliense, dia 11/8, na Vila Belmiro; Botafogo, no Rio, dia 14; Figueirense, dia 21, na Vila Belmiro e Paysandu, dia 24, em Belém. O último jogo de Robinho pelo Santos foi na derrota por 3 a 2 diante do Atlético-PR, na Arena da Baixada, pela Copa Libertadores da América, no dia 1º de junho. E sua última partida foi contra a Argentina, em Frankfurt, na Alemanha, quando o Brasil conquistou a Copa das Confederações. Robinho nunca perdeu do Corinthians e da Argentina.

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