Robinho fala, mas não sabe se joga

Robinho mostrava alívio nesta sexta-feira ao dar sua primeira entrevista algumas horas depois de reencontrar sua mãe, dona Marina da Silva Souza, que passou 41 dias em cativeiro. Cabelo começando a crescer, ele não mais mordia os lábios como nas entrevistas mais recentes, em que não conseguia disfarçar a tensão provocada pelo drama familiar, e sua intenção era apenas de fazer um agradecimento pelo apoio que recebeu nesse período, pois estava pressionado pela viagem a São José do Rio Preto, mas acabou cedendo e respondeu algumas perguntas.Mais descontraído, ele contou como foi o reencontro com a mãe, que chegou em casa às 13h18 minutos. "Ela chorou, me abraçou, me beijou, perguntou como eu estava" disse o atacante. "Eu também pude abraçá-la e abraçar a mãe é tudo o que um filho quer na vida. Não existe nada melhor do que ver minha mãe com saúde e dando risada para mim".Preferiu não comentar o estado de dona Marina, dizendo apenas que "todos sabem que a situação que ela passou é delicada e não desejo isso para ninguém, mas o importante é que ela está bem, de volta à minha família".Robinho falou também dos momentos que passou nesses 41 dias que conviveu com o drama do seqüestro de dona Marina. "Você vai almoçar e não sabe se a mãe está almoçando, se está jantando. Não conseguia dormir, não dava mesmo porque ficava o tempo todo pensando nela, que é a pessoa que mais amo nessa vida". E completou: "graças a Deus, isso foi superado. Agora espero que a gente consiga o título e vou passar um natal feliz com minha família".JOGAR OU NÃO - Robinho não joga desde o dia em que soube do seqüestro, dia 7 de novembro. Ele estava em Criciúma e retornou a Santos para acompanhar o caso. Nesta setxa-feira, o Santos fretou um jatinho especialmente para levá-lo até São José do Rio Preto, onde o time enfrentará domingo o Vasco da Gama na partida decisiva do campeonato. Ao embarcar, ele não sabia se irá jogar ou não. "Fico contente só com o fato de estar lá com o grupo. Se tiver de jogar o Basílio, fico feliz, do mesmo modo que se for eu o escolhido", disse ele, revelando que "só o fato de viver esse momento de decisão é uma felicidade muito grande".Mas Robinho não esconde que gostaria de jogar. "É lógico que eu quero, mas respeito muito a opinião do meu treinador e meus companheiros estão jogando muito bem em minha ausência", comentou, destacando as autuações de Deivid e Basílio, seus companheiros de ataque. Por conta disso, o jogador espera que o Santos consiga o título para comemorar junto com o grupo. "O professor Vanderlei é quem vai decidir. Se ele optar que eu fique no banco e não jogar, vou comemorar o título, se formos campeões, da mesma forma que se estivesse jogando". FALTA - O presidente Marcelo Teixeira comentou que o Santos viveu um momento muito difícil desde o seqüestro de dona Marina e o conseqüente afastamento de Robinho dos campos. "Foi um trauma para os atletas, que passaram a não ver mais a alegria contagiante do Robinho e hoje (18) ao entrar no vestiário já deu aquele grito que mostra a vontade de viver, seu sorriso está de volta".Teixeira destacou que o clube conseguiu manter o grupo concentrado no campeonato Brasileiro após esse trauma, "mesmo sem seu principal jogador e ídolo da torcida", e manteve até a última rodada as condições de lutar pelo título. Segundo o dirigente, o grupo de jogadores está ansioso em ver o atacante de volta e essa foi a razão da antecipação da viagem do atleta para São José do Rio Preto. "Quem não quer um reforço do nível e da qualidade de Robinho na rodada final do campeonato?", perguntou.

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