Robinho vira "Rubinho" em Concepción

O talento e o bom humor de Robinho fazem do atacante santista o jogador mais popular das seleções que disputarão a primeira fase na chave de Concepción. Ele é o mais assediado pelos torcedores nos treinos e o mais badalado pela imprensa local - o jornal local, El Sur, o chamou de "novo Pelé" na edição de sábado, um dia depois da chegada da delegação. E é também o mais popular dentro do grupo da Seleção, sempre conduzindo as brincadeiras e a batucada. "O Robinho é o responsável pelo bom ambiente que temos aqui. Ele sabe a hora de brincar e todo mundo se diverte com ele", afirma o técnico Ricardo Gomes. Durante os treinos nas instalações do Deportivo Huachipato as crianças chilenas tentam chamar sua atenção, mas ao invés de gritar "Robinho" o chamam de "Rubinho". "Acho que eles me confundem com o Barrichello", brinca. "Não entendo direito o que eles gritam, mas quando acaba o treino vou lá dar autógrafos e tirar fotos para retribuir tanto carinho. É muito legal ser admirado fora do Brasil, é sinal de que estou fazendo bem o meu trabalho." Uma de suas diversões é posar de veterano e "alugar" os jogadores que disputaram o Mundial Sub-20, embora seja o terceiro mais jovem do elenco - faz 20 anos dia 25 e só é mais velho que Nilmar, que faz 20 em julho, e Diego, que completa 19 em fevereiro. "O Dagoberto e o Daniel Carvalho são dois meninos de futuro. Estou dando uns toques para eles se comportarem direitinho aqui na Sub-23", é uma de suas frases favoritas. "Aí, pessoal da Sub-20: vocês têm que engraxar a chuteira da gente", também gosta de dizer. Robinho apregoa que é o jogador mais bonito do time, definindo-se como "presença" e "cheiroso". E é o líder e vocalista do grupo de pagode que batizou como "Escuta quem quer" e que tem uma formação variável. Quando Diego entra no batuque, o atacante sempre dá um jeito de parar a música e reclamar que o companheiro está errando. "Ai meu Deus, tem branco no samba", diz. Mas o craque também fala sério. E sabe de sua importância para o time. "Não sou o único jogador da Seleção que tem condição de decidir um jogo, mas estou num bom momento e com confiança para mostrar o meu futebol e ajudar o Brasil a se classificar para a Olimpíada." De tanto falar no assunto, ele já aprendeu que no Chile a "pedalada" é chamada de "bicicleta". E pretende brindar os chilenos com algumas durante o Pré-Olímpico. "Meu estilo é esse, de tentar o drible. Mas a pedalada tem hora certa para acontecer e não pode ser de graça. O negócio é usar a pedalada para criar uma boa jogada para a Seleção." O fato de ele, Dagoberto, Daniel Carvalho e Diego serem baixinhos não o preocupa. Ele acha que com velocidade e movimentação compensarão a ausência de um atacante alto. "Vamos nos mexer muito para confundir a marcação e com certeza criaremos chances de gol. O negócio é jogar com a bola no chão." Robinho tem sido um dos destaques nos treinos de finalizações, tanto com o pé direito como com o esquerdo, mostrando sua evolução nesse fundamento - algo que ficou claro na segunda metade do Campeonato Brasileiro, quando andou fazendo gols de fora da área e acertando chutes perigosos. "Lá no Santos o Leão sempre me cobrava para treinar mais finalizações. Comecei a treinar e os resultados apareceram. Agora tenho muito mais confiança para chutar." Chegou a hora de colocar a pontaria a serviço do sonho de conseguir a vaga para os Jogos Olímpicos. "Não vejo a hora de começar a jogar. A competição vai ser difícil, mas vamos buscar a classificação."

Agencia Estado,

06 de janeiro de 2004 | 16h46

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