Rocha ainda sonha com o São Paulo

A velha raça uruguaia aliada à refinada técnica do futebol brasileiro. Este é o sonho do técnico Pedro Rocha, do Mogi Mirim, que pela sexta vez dirige o time conhecido como Sapão e que, neste sábado, enfrenta o Corinthians pelo Campeonato Paulista. "O problema é que os técnicos vivem debaixo de uma forte pressão por resultados", lamenta o técnico, com forte sotaque. Mas ele está longe de colocar em prática seus pensamentos adquiridos na experiência de 30 anos na bola dentro do estádio "Wilson Fernandes de Barros". Por aqui não há como mudar o esquema 3-5-2 que consagrou o Carrossel Caipira no início da década de 90, ainda sob o comando de Oswaldo Alvarez, técnico do São Paulo. "Este esquema está ultrapassado, mas os jogadores estão acostumados com ele", se conforma o técnico que faz questão de ressaltar o trabalho físico intensivo. Na realidade, tanto a parte tática como física são exigências do presidente do clube, o empresário Wilson Fernandes de Barros, amado e odiado, ao mesmo tempo, na cidade. Responsável pelo atual estágio do clube, estruturado e disputando a elite paulista, ele também controla todas as ações do time, dentro e fora de campo. A ponto de mandar embora o técnico Cláudio Garcia antes mesmo dele estrear no Paulistão. "O Mogi parece um quartel. Os jogadores são rígidos, fazem só a obrigação e até os treinos são ditados pelo presidente", garante Garcia, atualmente no União São João de Araras. Pedro Rocha vai tentando recuperar o time no Paulistão. E a missão não é nada fácil, mesmo porque o time está sem vencer em casa e ameaçado pelo rebaixamento. O técnico se defende como pode, talvez, prevendo o pior: "A equipe está aquém do esperado, além disso os cartões estão atrapalhando nossos planos", justifica. Aos 58 anos, Pedro Rocha, vive na esperança de salvar o Mogi do rebaixamento e sonha em ter a chance de dirigir um grande clube brasileiro. O ex-craque do São Paulo e da seleção uruguaia nos anos 70, tem a esperança de um dia comandar o tricolor. Em São Paulo ele já passou por Guarani, Ponte Preta, Portuguesa e Mogi Mirim, tendo rodado pelo exterior, no Japão, em Portugal e até nos Emirados Árabes. Ultimamente, porém, vinha dirigindo o modesto Rio Branco de Andradas, de Minas Gerais, até ser convocado para salvar o Mogi há três semanas. Uma missão complicada, mas possível para quem acha viável unir garra e a técnica num mesmo time. Talvez não no Mogi Mirim.

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