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Antero Greco
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Roda, roda, roda

Com muitos jogos em pouco tempo, treinadores precisam ter coragem de fazer rodízios

O Estado de S.Paulo

06 Maio 2018 | 04h00

O termo “maratona” voltou a ter destaque no noticiário. Técnicos, atletas, jornalistas recorrem a ele para definir a série de jogos que muitos times importantes terão daqui até a longa pausa imposta pelo Mundial. Há equipes já na roda-viva que significa acúmulo de 15 a 16 apresentações daqui para a primeira quinzena de junho. De fato, é superdose, entre Copa do Brasil, Sul-Americana ou Libertadores, Brasileiro. Ufa!

A constatação óbvia indica a impossibilidade de manter formação ideal nesse tempo todo. Não existe físico resistente a tamanho desgaste, por mais eficientes que sejam os métodos de preparação e reposição de energia. Uma hora a máquina emperra - e quem não soube dosar pagará conta salgada. Deve ser levada em consideração a disputa anterior dos Estaduais.

Qual a saída? Rodar elencos, apelar para o tradicional rodízio. Com o que ele comporta de benefícios e com os riscos embutidos nessa opção. Só não adianta vir aos microfones e lamentar, como se vê de maneira recorrente. O calendário não se destaca por racionalidade - e não é de agora. Assim como essa infinidade de competições não surgiu de um momento para outro, não despencou do céu. No início do ano, cada clube sabe o que o aguarda - e a cartolagem dá aval previamente ao concordar com torneios e datas.

O segredo para o sucesso, ou para evitar fiascos, está no planejamento. E o ponto fundamental está na formação dos elencos. Cada vez se faz mais necessário investir em grupos equilibrados de jogadores, e em número suficiente para aguentar o tranco em diversas frentes de batalha. As baixas ao longo do ano são inevitáveis - por contusões, suspensões, transferências.

Mais do que isso, deve-se dar respaldo para eventuais decisões radicais de técnicos. O que significa? Significa não podar, cornetar, impedir que o professor resolva deixar no banco alguns, a maioria, ou todos os titulares em determinadas ocasiões. Se ele chegou à conclusão, junto com os demais colaboradores, de que a estratégia para avançar passa por descanso regular dos astros, que assim seja e bola pra frente. Não vale duvidar. Caso contrário, melhor mandá-lo embora e confiar na tática do “seja o que Deus quiser!’’, e Deus tem mais com que se ocupar.

Poucos, raros, são os que apelam para esse expediente sensato. O Atlético-PR, por exemplo, coloca a meninada dos juniores para disputar o Paranaense, e isso é decisão de diretoria. A tropa principal encomprida a pré-temporada. Às vezes, se dá muito bem, a ponto de conquistar o título, como neste ano.

O Grêmio ouviu as ponderações de Renato Gaúcho e deu sinal verde para relaxar em parte do regional para que a rapaziada que disputou o Mundial de Clubes voltasse à ativa com calma. O time reserva do reserva flertou com últimas colocações, sem crise. Com os protagonistas em ação, eliminou o Inter, foi à final e ergueu a taça. A manobra vitoriosa se deve ao cartaz de Renato. Algo parecido fez Mano Menezes no Cruzeiro, pela consciência de que sua argumentação tem peso.

Há, no entanto, uma série de treinadores mais comedidos na prática da “rodagem” do plantel. Por temperamento e convicções, em parte, mas sobretudo porque talvez não se sintam totalmente resguardados. Incluo na lista Roger Machado, Fabio Carille, Maurício Barbieri (Flamengo), Thiago Larghi (Atlético-MG). Os dois primeiros tentavam alcançar logo o equilíbrio; porém, se renderam às evidências. Roger poupou no meio da semana, Carille deve fazer isso hoje. Os outros dois, por serem jovens, interinos e ainda despertarem olhares enviesados dos torcedores, cruzam os dedos quando tiram os figurões.

Missão complicada abraçar tudo. Então, rodízio ou enfermarias cheias, derrotas e bolsos vazios.

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