Rodrigo, médico com história na seleção

O médico que conseguiu recuperar Elano de uma torção no tornozelo esquerdo em apenas seis dias e colocá-lo em condição de jogar na quinta-feira contra o Chile tem apenas 31 anos e uma história muito ligada à seleção brasileira. Rodrigo Lasmar é filho de Neylor Lasmar, que foi médico do time do Brasil de 1979 a 1986 e esteve nas Copas de 1982 e 1986. "Quando decidi fazer medicina, meu sonho era um dia chegar à seleção. Achava difícil, porque existem muitos médicos no futebol brasileiro, mas felizmente consegui. Fiquei muito feliz quando recebi o convite. E meu pai ficou ainda mais feliz do que eu", contou Rodrigo. Ele foi convidado para integrar a comissão técnica por José Luiz Runco, médico da seleção principal e muito amigo de seu pai.Quando foi chamado, o técnico era Émerson Leão. Mas ele não chegou a trabalhar com o treinador. "O Runco me chamou porque o Joaquim Grava tinha saído junto com o Luxemburgo. O Leão aprovou meu nome porque é amigo do meu pai e já me conhecia. Só que ele foi demitido depois da Copa das Confederações e naquela altura eu não tinha ido para nenhum jogo com a seleção", lembrou.Luiz Felipe Scolari assumiu e não fez nenhuma objeção ao seu nome. Rodrigo "estreou" no período de trabalho na Granja Comary antes da partida contra o Uruguai em Montevidéu, pelas Eliminatórias da Copa de 2002. Depois, foi para a Copa América da Colômbia, em 2001 - quando o Brasil foi eliminado por Honduras. Foi um começo difícil, mas a compensação veio no ano seguinte, com a conquista do título mundial."Assim que acabou a final, liguei para o meu pai. Ele não conseguia nem falar, estava chorando de alegria. Eu lhe disse que ele tinha participação naquela medalha, por ter aberto o caminho trabalhando em duas Copas", revelou Rodrigo.Em uma dessas Copas, Rodrigo viu de perto o trabalho de seu pai. No México, em 1986, cada integrante da comissão técnica ficou em um chalé na concentração. E ele, então com 14 anos, ficou junto com Neylor. "Vivi aquele ambiente de Copa do Mundo bem de perto. Quando o Brasil foi eliminado pela França, entrei no vestiário e vi uma choradeira. Ter participado de uma Copa anos depois e ganho um título que meu pai não pôde ganhar foi uma alegria muito grande para toda a família." Em 2003, o médico acompanhou a seleção Sub-23 no Torneio do Catar, na Copa Ouro e nos amistosos contra Corinthians e Santos - além de ter ido para o amistoso da seleção principal contra a Jamaica na Inglaterra.Rodrigo, que em abril vai se casar em Belo Horizonte com Mariana, trabalha há seis anos no Atlético Mineiro. Nesse tempo de carreira, considera a recuperação de Elano a mais prazerosa que conseguiu - pela rapidez e pela importância do torneio. Não foi à toa que o técnico Ricardo Gomes elogiou publicamente o seu trabalho quando viu Elano treinando normalmente na quarta-feira."Foi realmente uma recuperação surpreendente. No Atlético, lembro de uma vez em que o Guilherme tinha torcido o joelho e estava quase fora de um jogo em Santiago pela Libertadores de 2000. Mas o trouxemos para o Chile e ele acabou jogando. Acho que o Elano e o Guilherme são muito parecidos em uma coisa: os dois são obstinados para jogar e se dedicam muito ao tratamento", explicou Rodrigo.

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