Alex Silva/Estadãp
Alex Silva/Estadãp

Rodrigo Paiva diz ter sido bombeiro de plantão na seleção

Ex-diretor de comunicações da CBF afirma ter encoberto muita coisa

Estadão Conteúdo

03 Março 2015 | 23h22

O ex-diretor de comunicação da CBF, Rodrigo Paiva, que por 13 anos trabalhou diretamente com a seleção brasileira, admitiu que durante esse período uma de suas principais missões foi tentar evitar turbulências que atingissem à equipe. "Tive que encobrir muita coisa por muito tempo. É parte do meu trabalho'', disse em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN, que foi ao ar na noite desta terça-feira.

Demitido pouco depois da Copa do Mundo de 2014, Rodrigo procurou medir bem as palavras durante a entrevista, numa de suas primeiras aparições públicas depois de deixar o cargo. Não criticou ninguém diretamente. Disse que sua saída da CBF era uma "conclusão de ciclo" e não guardava mágoa nem ressentimentos de ninguém com quem conviveu nestes 13 anos, mas reconheceu ter visto muita coisa errada - "em relação ao comportamento das pessoas'', enfatizou - e que conviveu com várias pessoas que tentaram derrubá-lo.

Rodrigo Paiva disse que seu período mais difícil na seleção foi com Dunga como treinador, mas no qual também aprendeu muito. "Eu tinha resistências. Mas não guardo mágoa. Ele é talentoso e um dos meus ídolos como jogador.

O ex-diretor garantiu que trabalhar com Luiz Felipe Scolari foi prazeiroso, apesar da dificuldade representada por uma Copa do Mundo no Brasil, referindo-se à do ano passado. Disse não ter sido consultado sobre o encontro que o treinador teve com alguns jornalistas após a partida das oitavas de final com o Chile e que, se fosse chamado a opinar, alertaria que iria dar "m...'' "Mas aquilo foi uma coisa pura, do coração dele. Ele quis reviver o que fez em 2002 (na Copa da Coreia e do Japão), quando se sentou com 100 jornalistas e conversou com eles.''

Paiva também comentou o episódio do intervalo jogo com o Chile, quando se envolveu na confusão entre chilenos e adversários no caminho para o vestiário, foi acusado de agredir o atacante Pinilla e acabou suspenso pela Fifa. "Coitadinho do Pinilla... 2m10... Eu errei, mas meu maior erro foi ter revidado e quando eu fiz o movimento com o braço o quarto árbitro estava chegando e viu. Meu erro foi revidar.''

Apesar de dizer várias vezes que não guardava mágoa de ninguém com quem trabalhou nos 13 anos em que ficou na CBF, Rodrigo deixou transparecer ressentimento pela críticas recebidas dentro e fora da entidade por causa daquela confusão. "Eu passei a vida consertando, reduzindo e subdimensionando os erros das pessoas'', afirmou, tom de desabafo.

Em sua carreira, Rodrigo também foi assessor do Flamengo e dos dois maiores craques do futebol brasileiro nas últimas décadas, Romário e Ronaldo. Sobre o Baixinho, disse que "deu trabalho, mas foi divertido''. Em relação ao Fenômeno, considera ter ajudado a mudar a imagem distorcida e deturpada que muitos faziam dele, sobretudo no Brasil.

Ele já não estava mais trabalhando com Ronaldo quando o ex-jogador envolveu num escândalo com travestis, em 2008, mas disse que se tivesse sido chamado a atuar, o episódio não teria consequências. "É mole. Eu ia lá, tirava ele de lá e depois resolvia. Ele confiava em mim", garantiu. "Eu sempre resolvi. Tudo. Quase tudo.''

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