Roger cheio de problemas no São Paulo

A suspensão desta terça-feira pela expulsão contra o Fortaleza até que foi leve. Um jogo, já cumprido. Mas foi também apenas um dado a mais no processo de desvalorização que o atacante Roger vem passando no São Paulo. Hoje, o jogador é uma sombra do que era quando chegou, em maio, com status de artilheiro do Brasileiro, num processo que lembra o do lateral Gabriel (hoje no Fluminense), apelidado pejorativamente de ?pepino?. Suas aspirações foram caindo por terra, uma a uma. Poderia ser o parceiro de Luizão, mas Amoroso chegou e ele ficou sendo a primeira opção de banco. Então, Diego Tardelli voltou do Mundial Sub-20 e Roger passou a ser figurante do banco. Quando ficava no banco. "Eu, falar? Não, é melhor não", diz um apressado Roger, após o treino desta terça. Enquanto os titulares faziam trabalho de recuperação física dois dias após a vitória contra o Paraná, Roger participava de exercícios com bola. Seus companheiros eram Hernanes, Thiago Ribeiro, Adriano e Flávio, que não têm sido chamados para os jogos. Disputam a Copa FPF, para eles, uma espécie de purgatório. E um inferno para Daniel Rossi, por exemplo, que foi deslocado para o CT de Cotia, com os juniores. Ao dizer que não deseja dar entrevistas, Roger mostra estar assimilando uma das lições de Luizão, o centroavante da Copa Libertadores. "Ele me explicou que, para nós, o melhor é falar pouco com os jornalistas. E só responder o que vocês perguntam. Não esticar o assunto", explicou, quando ainda tinha status de estrela ascendente. Mesmo antes de Tardelli e Amoroso, Roger começou a perder espaço. Em 15 de junho, contra o Tigres, em Monterrey, Autuori escalou o time só com Luizão no ataque. Danilo jogou mais adiantado. Roger, antes de ser informado por Autuori, leu a notícia na internet. E reclamou em altos brados com funcionários do clube, sem saber que jornalistas escutavam o desabafo. Antes, outro problema já havia deixado dirigentes preocupados. Roger, que só fala na terceira pessoa, havia se envolvido em uma briga em uma boate em Campinas. "Acho que o Roger vai demorar um ano para entender que é jogador do São Paulo e que precisa ter comportamento digno do clube", prevê Marco Aurélio Cunha. Ele não se refere apenas a brigas e gritos. As expulsões também contam contra o atacante. Depois de um tempo na reserva, teve uma chance contra o Fortaleza, no dia 14. Foi expulso aos 32 minutos do primeiro tempo. Afastado do time, jogou contra o Barueri, pela Copa FPF. Expulso novamente. O afago vem de onde menos se poderia esperar. O "xerife" Juvenal Juvêncio apóia o jogador. "O pessoal que estava no jogo contra o Barueri disse que a expulsão foi injusta. Eu acho que o Roger é muito bom, tem apenas 20 anos e vai dar muita alegria ao time. Não estou arrependido de sua contratação." Se estivesse, talvez não dissesse. O clube pagou US$ 1 milhão (R$ 2,4 milhões) por metade de seu passe. Espera ter lucro em breve.

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