Roger espera jogar meio tempo domingo

Roger não esperava por essa quando assinou o contrato de quatro anos com o Corinthians. O ex-meia do Fluminense e Benfica, reserva momentaneamente, vem sendo obrigado a suar a camisa para mostrar ao técnico argentino Daniel Passarella que está disposto a jogar coletivamente. "De manhã treino resistência e, à tarde, o treinamento é de força. Não está fácil, cansativo demais, mas sei que é importante para mim", comentou, abatido. Seus olhos pareciam mais pesados que o habitual durante a entrevista de hoje, no Parque São Jorge. "Se tudo der certo, domingo devo entrar durante a partida contra o Ituano, acho que jogo meio tempo." Antes disso, quinta-feira, a equipe enfrenta o Guarani, em Campinas, e ele nem estará no banco. O jogador parece ter percebido que bater de frente com Passarella definitivamente não seria inteligente. Depois de esbravejar após ser substituído quatro vezes consecutivas pelo treinador (Cianorte, Santo André, Palmeiras e São Caetano), mudou o discurso, elogiou o comandante reconheceu não estar 100% fisicamente. "Assim que eu estiver em forma, meu futebol vai melhorar e vou poder ajudar ainda mais o time." O jogo contra o São Caetano, no meio de semana, foi daqueles para o atleta apagar de sua carreira. Sacado no intervalo (negou ter discutido ou brigado com o técnico), trancou-se no carro para esfriar a cabeça e por pouco não perdeu o exame antidoping, para o qual teve seu nome escolhido. Os dirigentes tiveram de procurá-lo às pressas para o Corinthians não ser punido. O clube não foi, Roger sim. "Vou ser multado com certeza, mas a multa não chegou", contou. Perdeu dinheiro e a posição. Não entrou em campo na última rodada, 3 a 1 em cima do União Barbarense, e terá uma semana de extenuante treino físico pela frente. Em suas respostas, porém, a insatisfação, contida, dá um jeito de se manifestar. Exemplos: "Em minha opinião, eu estava sendo bastante participativo e contribuía com a equipe, mas na visão dele (Passarella) isso não acontecia" ou "O treinador não teve como me ver jogar direito, não consegui atuar uma partida inteira". Na semana passada, o argentino havia declarado que terá vaga no time não o jogador caro, bonito ou com nome na mídia, mas sim aquele que melhor entender suas orientações e que mais auxiliar o grupo. "Tem de pensar no coletivo, não individualmente", afirmou. Seria um recado a Roger? O meia, carioca de nascimento e habilidoso em toda a carreira, poderia estar sendo usado como uma espécie de exemplo ao elenco. Passarella quer garra, atletas correndo o tempo todo e Roger não estaria se encaixando bem nas aspirações de El Capitan. "Ele não pede para eu marcar, quer que eu ocupe espaços somente", esclareceu, ligeiramente irritado. "Mas vou dar a volta por cima e espero ser decisivo (no confronto de volta pela Copa do Brasil, dia 6 de abril) contra o Cianorte." O time precisa de quatro gols de diferença para se classificar à nova fase da competição. Se fizer 3 a 0, a decisão será nos pênaltis.

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