Roger, ex-Corinthians e Fla, pode defender a Polônia na Euro

Lateral-esquerdo diz que está 'escondido do mundo' e pode aceitar convite da Federação Polonesa

Bruno Winckler, Jornal da Tarde

27 de fevereiro de 2008 | 19h23

O lateral-esquerdo Roger não deixou saudades no Corinthians em sua passagem pelo clube em 2003. Acabou sendo campeão carioca pelo Flamengo, em 2004, e em 2007, já pelo Legia Varsóvia, foi eleito o melhor jogador estrangeiro na Polônia. Com esse currículo, o jogador de 25 anos, há dois anos no país, está bem perto de conseguir a cidadania polonesa para defender a seleção do país na Eurocopa da Áustria e Suíça, em junho. "Estou escondido de todo mundo. É muito difícil o Dunga estar olhando o campeonato daqui, então é claro que eu preciso pensar na minha carreira e nas possibilidades que aparecem", conta o jogador por telefone, direto de Varsóvia. Ele já apresentou toda a documentação necessária para se naturalizar à Federação Polonesa de Futebol. Como não tem descendência do país, Roger precisará de uma assinatura do presidente da Polônia, Lech Kaczynski, para ser aceito como cidadão polonês. "Eu até poderia esperar uma negociação com uma equipe grande da Europa para aparecer mais no Brasil, mas hoje minha realidade é aceitar o convite e dar continuidade ao processo de naturalização para estar à disposição do treinador Leo Beenhakker (holandês que dirige a seleção)." Em matéria no site do Legia, o treinador elogiou Roger por suas últimas atuações. O cônsul da Polônia em São Paulo, Marek Krynski, acredita que, com dois anos como residente em Varsóvia, é bem provável que Roger consiga a naturalização. "Está acontecendo um lobby muito grande da imprensa polonesa e pode ser que Beenhakker esteja mesmo interessado. Há precedentes que mostram que isso é possível", disse Krynski. A Polônia teve um jogador nigeriano na seleção: o atacante Emanuel Olisadebe jogou a Copa de 2002 pelo país. Não seria uma novidade. Em 2006, cinco brasileiros atuaram por outras seleções: Zinha, pelo México; Francileudo dos Santos, pela Tunísia; Alex Santos, pelo Japão; Marcos Senna, pela Espanha; e Deco, por Portugal. Na Eurocopa, Deco é nome certo, Marcos Senna pode aparecer, Eduardo da Silva só não será titular da Croácia por estar contundido e até o atacante Amauri, do Palermo, pode ser lembrado pela seleção italiana. O corintiano lembra de Roger por sua expulsão na partida das oitavas-de-final da Libertadores de 2003 contra o River Plate, no Morumbi. Muitos o culpam por aquela derrota por 2 a 1 e a conseqüente eliminação - o time havia perdido o jogo de ida pelo mesmo placar, chegou a sair na frente mas se perdeu depois que Roger, ao ouvir os gritos de "pega" do técnico Geninho, acertou uma canelada em D'Alessandro. "Errei contra o River Plate, mas foi dali que amadureci e tive a porta no Flamengo aberta. Se tivesse ficado no Corinthians, na reserva, minha carreira não ia caminhar como caminhou." Roger passou pelo Celta, da Espanha, em 2005, antes de chegar à Polônia. "Nada acontece por acaso", filosofa Roger, que no Legia joga como meia. "Foi assim que me destaquei. No primeiro ano joguei como ponta-esquerda, bem avançado. Depois o técnico (Jan Urban) me colocou pra jogar um pouco mais recuado. Gosto de jogar assim." Olegia é vice-líder do Campeonato Polonês, com 37 pontos, 11 a menos que o rival Wisla Cracóvia. RACISMOAs lamentáveis cenas de bananas atiradas das arquibancadas em direção dos jogadores negros, acompanhadas de gritos imitando o som de macacos, ainda são comuns na Polônia, admite Roger. "Acontecia muito com o Pogon na época que tinha muitos brasileiros (o volante Amaral, hoje no Barueri, era um deles), mas sempre partia da torcida adversária. Comigo aconteceu em um clássico contra o Wisla Cracóvia, na hora em que fui cobrar um escanteio. Eu me considero negão também e em Varsóvia eu sou bastante querido por todos. Tenho três companheiros africanos no time." Quem também joga com Roger no Legia é outro ex-corintiano, também lateral-esquerdo. Edson Canhão era reserva de Kléber, hoje no Santos, em 2002, e chegou ao Legia junto com Roger, em 2006. A maior barreira que os dois enfrentam no país é a língua. "Já sabemos fazer um pedido no restaurante, comprar um remédio, mas não dá pra falar fluente. Para mim, é como se fosse um alemão piorado", disse, já se preocupando em decorar o hino nacional polonês.

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