Juan Karita/AP
Juan Karita/AP

Rogério Ceni não admite dar adeus na primeira fase da Copa Libertadores

Goleiro, que volta ao time contra o Atlético-MG, disputa seu torneio preferido pela última vez

Gonçalo Júnior, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2013 | 08h02

SÃO PAULO - Mesmo com fortes dores no pé direito, Rogério Ceni vai enfrentar o Atlético Mineiro nesta quarta-feira. Quer a classificação a todo custo para não cair na primeira fase em sua última Libertadores. Está preocupado com isso, mas não desesperado. Confia na vitória.

Mesmo que seja eliminado, não encerrará a carreira agora. Vai cumprir seu contrato até o final, em dezembro de 2013. Aí sim, deve se aposentar. Mas não descarta reavaliar suas condições físicas em novembro e ouvir a opinião da diretoria.

Os planos do goleiro, que completou 40 anos em janeiro, foram revelados por seu pai, Eurydes Ceni, por telefone, da fazenda da família em Sinop, principal cidade do norte do Mato Grosso, onde vive há 28 anos.

Seu Eurydes sabe que esse é um momento chave na carreira de filho caçula, que vem depois do Ronaldo, do Rudimar e da Rosecler. Como foi escrito acima, esta pode ser a sua última Libertadores, o torneio que mais ama e que já venceu duas vezes - uma delas como titular, em 2005. "Esse jogo é importantíssimo. É a vida dele", diz o patriarca de 74 anos.

Para se classificar, o São Paulo precisa vencer o Atlético-MG, o melhor time da primeira fase, e ainda torcer para que o Arsenal vença, em casa, o The Strongest. Se perder, vai igualar a pior campanha em 16 participações. Em 1987, a equipe de Gilmar, Dario Pereyra, Neto, Muller e Careca terminou em último na chave de Cobreloa, Colo-Colo e Guarani. A diferença é que a Libertadores não era tão valorizada.

Por causa das dores no pé direito, o capitão tricolor desfalcou a equipe contra Botafogo, União Barbarense e XV de Piracicaba pelo Campeonato Paulista. Essas dores surgiram naquela dividida com Alexandre Pato no clássico com o Corinthians. Ceni chegou um milésimo de segundo atrasado e acertou em cheio a sola do corintiano. Para se recuperar, fez tratamento até no domingo.

"Não conversei com ele esses dias, mas tenho certeza de que ele vai jogar. Ele não ia conseguir assistir a esse jogo do lado de fora", conta o irmão mais velho, Ronaldo Ceni, advogado que também mora no Mato Grosso.

OBSESSÃO

De acordo com o site oficial do jogador, a estreia de Ceni na Libertadores foi em 1993, ainda como terceiro goleiro, reserva de Zetti e Gilberto. No ano seguinte, o time perdeu o tri para o Vélez Sarsfield nos pênaltis. Foi aí que a obsessão dele pela Libertadores começou.

Rogério Ceni assumiu a camisa 1 em 1997, mas o São Paulo só voltaria à competição em 2004. Marcou seu primeiro gol no torneio logo na estreia, contra o Alianza Lima. A partir daí, os feitos não cabem numa página.

Para resumir, Ceni é o maior artilheiro da história do São Paulo na competição, com 13 gols. No ano passado foi eleito por torcedores - a maioria são-paulina, provavelmente - o jogador mais importante da Libertadores, em votação no portal Pasión Libertadores, chancelado pela Conmebol, desbancando Pelé e Zico.

O irmão garante que as críticas pelas últimas falhas não entram em campo."Ele não está se estressando muito. Alguns acham que ele é arrogante, mas acho que ele é apenas uma pessoa de opinião", diz Ronaldo.

Preocupado com a safra razoável de soja e milho, que sofreu muito com as chuvas do início do ano, e com a falta de apoio ao produtor do Centro-Oeste, seu Eurydes dá uma opinião que pode apagar qualquer plano rabiscado no papel.

"Se o time não ganhar nada, acho que ele pode desanimar...", diz, deixando nas reticências que o futuro inteiro do filho pode caber em dois tempos de 45 minutos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.