Rogério Ceni, o terror dos goleiros

São Paulo e Universidad de Chile empatavam por 1 a 1 na quarta-feira, no Morumbi. Aos 20 minutos do primeiro tempo, o Tricolor teve uma falta a seu favor. Estava um pouco longe. Como faz rotineiramente, a torcida pediu que Rogério Ceni a cobrasse. Como faz com constância cada vez maior, o ídolo foi lá e cobrou. O pobre do goleiro Herrera até pulou. Mas o chute, certeiro, entrou no seu canto direito, rente à trave. São Paulo 2 a 1. "Foi um dos gols mais bonitos da minha carreira?, considera o autor.Para Rogério, o gol tem importância não só pela beleza plástica, mas por ter sido marcado em uma partida da Copa Libertadores da América, competição especial não só para ele como para todos os são-paulinos. O de quarta, aliás, foi o seu terceiro gol de falta na competição (no ano passado, faz contra o Alianza, do Peru, e contra o Deportivo Táchira, da Venezuela). Sem contar os dois marcados em decisão por pênaltis em 2004 contra o Rosário Central.Rogério tem uma lista extensa de gols para um goleiro. O de anteontem foi o 42.º. Deles, 32 foram marcados em cobrança de faltas. A maioria belos gols, conseqüência de bolas bem colocadas, com efeito, velocidade e quase sempre longe do alcance do goleiro adversário. O são-paulino lembra, às vezes pelo estilo de bater, noutras pela eficiência, grandes batedores do passado, como Zico, Neto, Zenon, Roberto Dinamite, Aílton Lira...A conseqüência é que Rogério Ceni já está sendo considerado por uma grande parcela das pessoas ligadas ao futebol o melhor cobrador de faltas do futebol brasileiro na atualidade. Condição que ele prefere não ostentar. "Tenho um bom desempenho, mas não me considero o melhor?, disse Rogério nesta quinta à Agência Estado, no caminho entre um dos campos do CT da Barra Funda e a sala de musculação. "Estou entre os melhores, mas há vários jogadores que também cobram bem faltas. Um deles é o Coelho (lateral-direito do Corinthians).?Para Rogério, um dos segredos do seu sucesso é o treinamento. Normalmente, depois de encerrada as atividades normais do elenco, ele permanece no gramado, executando cobranças. É assim desde os tempos em que atuava nas categorias de base do São Paulo. "Eu treino bastante e isso me dá confiança no momento de fazer a cobrança.?No entanto, Rogério Ceni admite que, mesmo com o passar dos anos e a sucessão de gols de falta, o momento da cobrança traz sempre uma dificuldade extra para ele, pelo fato de ser goleiro. "A maior dificuldade é que os jogadores de linha podem arriscar na hora das cobranças. Eu não. Me preocupo bastante com o posicionamento, com o lugar onde a bola está colocada.?Goleiro que mantém uma incrível regularidade ao longo da carreira profissional - toda ela passada no São Paulo -, Rogério tem passado por uma experiência nova nos últimos meses. Sempre que faz um gol, passa vários dias sendo alvo de comentários mais por seu desempenho como cobrador de faltas do que como um dos melhores goleiros do futebol brasileiro. Tal situação não o incomoda."Os gols de falta são uma rotina para mim. Sei que chama a atenção, até porque são raros os goleiros que cobram. Atualmente, acho que só eu cobro?, diz, referindo-se ao futebol em nível internacional. Ele, na realidade, até considera que seus feitos não recebem o reconhecimento merecido. "Aqui no Brasil, as pessoas não costumam valorizar muito as coisas. É até considerado um fato corriqueiro em um jogo. Se fosse na Europa, o fato de um goleiro fazer gols com freqüência seria encarado como um fator ainda mais positivo.?Além do treinamento contínuo, Rogério Ceni - que já marcou gols de falta em goleiros como os palmeirenses Sérgio e Marcos -, faz da observação uma das armas para ser bem-sucedido nas cobranças. Ele procura analisar o comportamento de todos os goleiros dos times adversários. "Isso é algo importante. Claro que o goleiro do time chileno (Herrera, do Universidad de Chile) eu não pude observar. Mas estudo todos os que posso.?

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