Rogério Ceni: o único remanescente

Rogério Ceni se assustou dia desses quando Fábio Santos mostrou a ele uma foto de 1994. Nela, o meia são-paulino, ainda garoto, estava ao lado do goleiro, na época reserva do São Paulo. Se para Fábio a Libertadores é apenas uma lembrança dos tempos de torcedor, Rogério Ceni pode se gabar de ser o único jogador do elenco são-paulino que estava no Morumbi em 31 de agosto de 1994, a última vez que o time mandou um jogo da Libertadores no Morumbi."Para os jogadores mais jovens, não houve essa expectativa. Muitos deles chegaram aqui no começo do ano. Nenhum jogou aquela partida e nenhum viveu a ansiedade de ficar dez anos esperando a Libertadores. Eu estava esperando e sabia que não era encontro marcado. Era uma coisa que tínhamos que conquistar, e conseguimos", diz Ceni.Em 1994, Rogério estava no banco de reservas e viu o São Paulo perder nos pênaltis, para o Velez Sarsfield, a chance do tricampeonato. "Foi um momento triste. Se tivéssemos vencido aquele jogo, tenho certeza de que jamais uma equipe brasileira iria se igualar aquilo na história com um tricampeonato. Mas acabamos perdendo a que foi a mais fácil das três finais. Mas, se perdemos 1994, quem sabe 2004 não está aí para a história voltar"."Aquele foi um momento que nunca se repetirá. Até porque a capacidade do Morumbi mudou e não cabe tanta gente. Mas as 50 mil vozes de amanhã (hoje) vão ecoar tanto quanto as 95 mil daquele dia", disse.Para ele, os títulos do São Paulo fizeram a Libertadores recuperar a força no Brasil e chegar ao nível de entusiasmo que se vê hoje, com mais de 20 mil ingressos vendidos antecipadamente. "Hoje as pessoas perceberam que o campeão da Libertadores ganha espaço no continente europeu, por isso é um torneio para ser tratado de forma especial por torcedores e time."Isso explica, segundo Rogério, o clima de decisão que tomou conta do São Paulo nos últimos dias, mesmo em se tratando da segunda rodada da primeira fase. "Vai ser a primeira partida do time na Libertadores nesta década e a torcida está muito confiante. E em determinadas competições, como a Libertadores, todo jogo é como se fosse uma final. Com o regulamento novo, só o primeiro colocado se garante na segunda fase. Se perdermos para o Cobreloa, até a briga pela vaga vai ficar delicadíssima."Para Rogério, a torcida ainda precisa ter paciência, porque o time está evoluindo e deve melhorar nos próximos jogos da Libertadores. Mas ele promete que o São Paulo vai mostrar dedicação e vontade de decidir a partida. "O que eu quero para amanhã (hoje)? Primeiro um bom tempo, que não esteja muita chuva. Segundo, um bom público. Terceiro, um bom futebol. E se der para aparecer uma faltinha perto da área...."

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