Rogério Ceni: recorde no São Paulo

São poucas as histórias de amor entre jogador e clube que perduram no futebol. Ainda mais nos dias atuais, nos quais as altas cifras do mercado europeu e seus contratos milionários seduzem os consagrados craques ou futuras promessas. A maior demonstração de amor à camisa e fidelidade no País ganha novo e importante capítulo neste domingo à tarde, no Maracanã. Quando pisar no gramado, o aquariano goleiro Rogério Ceni, de 32 anos, completados no dia 22 de janeiro, paranaense de Pato Branco, estará completando a marca de 597 jogos pelo São Paulo, em seus 15 anos de clube. Iguala o recorde de outro camisa 1, Valdir Perez, até então o atleta com mais aparições com a camisa tricolor. Rogério Ceni, o rei do Morumbi, é uma pessoa caseira, daquelas que fazem de tudo pela família, gosta de viajar para o campo (fazenda em Sinop-MT) e para a praia - quando pode visita Curitiba, onde moram os irmãos e os sobrinhos -, canta, lê, dá palpites, procura estar sempre bem informado, adora rock (toca guitarra e violão), despreza pagode, veste-se com fineza e elegância, estuda equipes de futebol (está sempre observando os principais pontos fortes e fracos de seus adversários), e curte cozinhar. Sua especialidade: peixe recheado. E não dispensa um bom churrasco. Muitas vezes calado e sisudo, o goleiro é reconhecido pela sinceridade, jeito franco de agir com todas as pessoas a seu lado, seja do porteiro à cozinheira, pelo bom coração - está sempre disposto a ajudar um companheiro, principalmente jovens no início da carreira - e, óbvio, por sua liderança nata. O capitão do São Paulo, de fala mansa, clara e respostas na ponta da língua, solta a voz no campo. Grita, gesticula, orienta e também solta o grito da torcida, com seus belos gols de falta e eficientes cobranças de pênalti. Na carreira, já são 42 gols, 33 de falta, 6 de pênalti e, em sua conta constam, ainda, 3 em disputas de pênaltis. Graças a eles e aos milagres, ganhou o refrão de "melhor goleiro do Brasil". Apesar dos 32 anos, engana-se quem pensa numa breve aposentadoria. Há muitas metas em aberto. Título de Libertadores completar 800 jogos pelo clube, seleção... Tudo antes de se candidatar a presidente do São Paulo. Pressa, só para estar ao lado da mulher, Sandra, e das filhas gêmeas, Clara e Beatriz, fontes de inspiração. Ser o maior da história - "Coisa bacana, especial. Nos dias de hoje, nos tempos atuais, é valorização muito grande defender um clube grande por 597 jogos. Valorizo esta marca. E, independentemente de ser no Maracanã, é bom demais. No Morumbi seria mais especial para minha carreira, mas semana que vem será lá (sábado, contra o Paraná)." A equipe atual - "Este time é forte, equilibrado. Claro com carências. A diretoria vai fazer contratações e a tendência é ficarmos mais fortes. Hoje, temos um elenco limitado, mas com atletas dispostos a vencer. Saber das limitações não é vergonha." As filhas Clara e Beatriz - "Uma coisa muito boa. Desde o nascimento delas (a voz fica embargada e os olhos marejados), mudou tudo. Sempre quero estar o mais rápido em casa. A grande mudança na família é entendermos e aprendermos a dar o valor devido aos nossos pais." Segredo para longevidade - "Na minha posição, a tradição é atuar muitos anos. Mas com competência. E existe relação boa com o clube. Gosto do estilo do São Paulo, que assemelha-se a meu estilo de vida. E culminou com a identificação com os torcedores. São 15 anos e espero chegar aos 800 jogos. Tempo de contrato para isso tenho." Aposentadoria - "Antes dos 35 anos eu não penso. Hoje me sinto bem e em condições de cumprir meu contrato (até dezembro de 2008). Estando apto, sem lesões, suspensões, vou cumpri-lo até o final. E hoje, aos 32 anos, me sinto muito bem, em condições físicas e técnicas muito melhores que 3, 4 anos atrás." Motivação para atuar - "Cada vez que entro em campo sinto uma coisa muito especial. Passo a semana toda trabalhando para poder, no sábado ou domingo, ter este momento especial. Ver compensada a dedicação sua e a do torcedor e acabar vencendo os jogos, é uma grande motivação." Adversários - "Para o São Paulo ser grande, precisa ter rivais fortes. Mas atuar em Palmeiras e Corinthians não combinaria comigo. Não me sentiria à vontade, não estaria confortável." Seleção brasileira - "Vou lá trabalhar como no São Paulo (refere-se ao duelo com a Guatemala, quarta-feira). E a coisa mais bacana vai ser fazer parte da festa de despedida do Romário, jogador de grandes serviços prestados. Meu ídolo. Sobre outras convocações, o que o técnico fizer estará de bom tamanho." Mágoas - "Não tenho mágoas de nada. No futebol tudo está incluso num pacote de vitórias e derrotas. Ninguém, em 15 anos de clube, vive só de momentos felizes. Tem de saber lidar. Eu posso dizer que tive mais alegrias e mais vitórias." Obrigado - "Se fosse enumerar as pessoas... É muita gente. Faria agradecimento especial a todos que torceram por mim apoiaram. Os familiares mais próximos , os torcedores."

Agencia Estado,

24 Abril 2005 | 12h08

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