Rogério Ceni salva e São Paulo segura 0 a 0 com o Santos na Vila

Jogador mais velho no jogo, goleiro do São Paulo garante o empate diante do Santos com defesas extraordinárias na Vila Belmiro

Gonçalo Junior, O Estado de S. Paulo

12 de fevereiro de 2015 | 00h14

O resultado final de 0 a 0 entre Santos e São Paulo nesta quarta, na Vila Belmiro, foi um reflexo da ótima atuação dos goleiros, em especial de Rogério Ceni, e do equilíbrio dos times, que se alternaram no comando da partida e não encontraram o caminho do gol. 

Longe da monotonia que a falta de gols pode sugerir, os dois passaram bem pelo primeiro teste da temporada. O Santos vai ter tranquilidade para continuar se reestruturando. E do outro lado, o próximo desafio foi traçado pela torcida são-paulina: "É quarta-feira", gritaram os tricolores em referência à estreia na Copa Libertadores contra o Corinthians, na próxima semana. 

Curiosamente, os dois treinadores escolheram a mesma tática ofensiva: jogar com velocidade pelos lados. Os personagens, no entanto, eram bem distintos. De um lado, Robinho, aos 31 anos, aproveitava os espaços deixados pelo lateral Bruno. Pelo São Paulo, o jogador escolhido para atualizar a função do antigo ponta foi o Ewandro, de 18 anos, uma escolha surpreendente de Muricy. Ficaram no banco os tarimbados Pato e Kardec. Nesse duelo particular, Robinho colocou o novato no bolso. 

No início, o São Paulo conseguiu ficar mais tempo com a bola. É um time mais arranjado e mudou pouco desde o ano passado. No primeiro tempo, fincou sua bandeira no campo do rival e lá ficou, bagunçando a noção de visitante e dono da casa. Conseguiu transformar esse domínio em poucas chances de gol, como no chute de Michel Bastos, aos 10, que Vanderlei defendeu do jeito que deu, e na finalização de Luis Fabiano. 

O principal problema do Santos era a dificuldade para criar. Com Lucas Lima bem marcado, o time da casa vivia dos recuos de Robinho, que abandonou as pontas porque a bola não chegava. Os erros de passe também prejudicaram a evolução dos ataques. Arouca, agora no Palmeiras, ainda faz falta. 

Apesar de desconjuntado, o Santos é um time de individualidades. Foi o que provou Geuvânio quando obrigou Ceni a se exercitar pela primeira vez no jogo. Eram 25 da etapa inicial. Oito minutos depois, foi a vez de Bruno Ferraz cruzar com perigo. E, aos 43, Robinho teve a melhor chance do jogo. Rogério salvou e evitou que o rival renovasse a fama de carrasco. 

Essa sequência de bons lances mostra que o Santos melhorou na partida. Lucas Lima começou a levar vantagem sobre Denilson e Geuvânio se tornou mais dinâmico. E foi aí, no fim do primeiro tempo, que a Vila voltou a ser território santista. 

E permaneceu alvinegro em boa parte do segundo tempo. Com passes mais certeiros e o avanço de Victor Ferraz pela direita - também apareceu o talento de Robinho para abrir espaços -, o Santos conseguiu três grandes chances nos primeiros 15 minutos. 

Novamente a balança do jogo mudou de lado quando Ganso começou a aparecer. Sempre lúcido, segurou a bola e fez o São Paulo respirar no jogo. Também foi importante a substituição do assustado Ewandro pelo oscilante Alexandre Pato. 

O domínio tricolor não era soberano, como no início. O Santos apertou e aí surgiu Ceni com duas grandes defesas, sequenciais, tão importantes como gols. O goleiro garantiu o empate no clássico.

FICHA TÉCNICA

SANTOS 0 x 0 SÃO PAULO

SANTOS - Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima (Elano); Geuvânio, Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel) e Robinho (Lucas Crispim). Técnico: Enderson Moreira.

SÃO PAULO - Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Michel Bastos e Ganso; Ewandro (Alexandre Pato) e Luis Fabiano (Alan Kardec). Técnico: Muricy Ramalho.

CARTÕES AMARELOS - David Braz, Rafael Toloi, Robinho, Reinaldo, Luis Fabiano, Elano.

ÁRBITRO - Leandro Bizzio Marinho.

RENDA - R$ 269.545,00.

PÚBLICO - 8.867 pagantes.

LOCAL - Estádio da Vila Belmiro, em Santos (SP).

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