Arquivo/São Paulo FC
Ceni chegou ao São Paulo em 1990, após começar a carreira no Sinop (MT) Arquivo/São Paulo FC

ROGÉRIO CENI SE DESPEDE DA TORCIDA COM FESTA NO MORUMBI

Goleiro recebe ex-campeões mundiais pelo São Paulo em jogo festivo

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2015 | 07h00

Os são-paulinos se despedem na noite desta sexta-feira do goleiro Rogério Ceni em um ambiente ideal para a ocasião. O Morumbi vai estar lotado, com cerca de 60 mil torcedores em noite de festa para ver em campo os principais ídolos do clube nos últimos 25 anos.

A partida final da carreira de Ceni, às 21h, reunirá os jogadores participantes dos três títulos mundiais do clube do Morumbi. O goleiro vai defender o time de 2005 diante da equipe formada pelos jogadores de 1992 e 1993, quando ele integrava o elenco ainda como reserva.

O reencontro dessas duas eras vitoriosas do São Paulo vai colocar em campo ídolos como Zetti, Cafu, Juninho, Müller e Toninho Cerezo de um lado. Entre os adversários, estão confirmados Lugano, Mineiro, Amoroso e Aloísio. As principais baixas da equipe de 2005 são Danilo, que por jogar no Corinthians preferiu não participar, além de Cicinho, que não foi liberado pelo seu clube, o Sivasspor.

Cada time será comandado por uma dupla de treinadores. Para a geração do começo da década de 1990, estarão no banco de reservas o filho de Telê Santana, Renê, acompanhado pelo então auxiliar da época, Muricy Ramalho. A formação de 2005 terá no comando Paulo Autuori e Milton Cruz.

A programação para o jogo de despedida também vai ter shows musicais e atividades nos camarotes do Morumbi. Um novo setor foi montado com cadeiras no gramado para acomodar 131 torcedores, número em referência aos gols marcados por Ceni na carreira. Cada são-paulino pagou R$ 1.780 para ter direito ao assento e acesso ao camarote, com bebida e comida liberadas.

Nos bares do estádio a venda de cervejas está liberada e os copos virão com uma homenagem ao goleiro, para que sejam guardados como recordação.

Ceni tem mais compromissos com o São Paulo no sábado e no domingo. Nesses dias, o goleiro vai jogar com torcedores. Depois, estará de férias e oficialmente aposentado.

O goleiro atuou pela última vez no dia 28 de outubro, contra o Santos, pela Copa do Brasil, quando rompeu o ligamento tíbio-fibular do pé direito.

ESCALAÇÕES

São Paulo 1992-1993 - Zetti, Vitor, Adilson, Ronaldão, Pintado, Ronaldo Luiz, Müller, Toninho Cerezo, Luis Carlos Goiano, Raí, Cafu, Marcos, Válber, Dinho, Elivélton, André Luiz, Juninho Paulista, Jura, Doriva, Guilherme, Valdeir e Gilmar. Técnicos - Renê Santana (filho de Telê) e Muricy Ramalho.

São Paulo 2005 - Fabão, Aloísio, Mineiro, Lugano, Junior, Amoroso, Grafite, Alex Bruno, Renan, Thiago Ribeiro, Richarlyson, Souza, Bosco, Flávio (goleiro), Edcarlos, Josué, Christian e Flávio Donizete. Técnicos - Paulo Autuori e Milton Cruz.

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COM ADEUS DE CENI, SÃO PAULO ENCERRA ERA VITORIOSA NA HISTÓRIA

Goleiro marcou época, conquistou títulos e deixa legado no futebol

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

05 de dezembro de 2015 | 17h00

Por volta das 19h deste domingo o árbitro vai encerrar o jogo entre São Paulo e Goiás no Serra Dourada e decretar o começo de uma nova fase para o time do Morumbi. A partir dessa transição será preciso a torcida, o elenco e até os adversários se acostumarem a olhar para a equipe e não verem a presença de Rogério Ceni, responsável por representar uma vitoriosa fase do clube.

Aos 42 anos e mais de 1,2 mil jogos pelo São Paulo o goleiro vai se aposentar do futebol. Com uma lesão no pé direito, ele não vai entrar em campo, mas estará no estádio para presenciar a partida de alto valor simbólico para o clube, jogador e torcida.

"Se você pensar, 25 anos em uma mesma empresa, em que você se expõe publicamente para ser julgado quarta e domingo, é bastante tempo. É uma carreira toda e chegar aos 42 anos jogando é difícil", disse Ceni em entrevista ao Estado.

O São Paulo vai precisar se adaptar à ausência do goleiro e capitão. O adeus de Ceni faz o clube romper com o último remanescente de duas eras vitoriosas. O jogador já estava no elenco durante o título mundial de 1993 e ajudou a reconduzir a equipe ao topo, com as conquistas do Mundial e Libertadores de 2005, seguidas por três Brasileiros nos anos seguintes.

Os quase 20 títulos obtidos ganharam realce pela carreira paralela como batedor de faltas e pênaltis. Foram 131 gols, recorde no futebol mundial para um goleiro, feito acompanhado pela liderança fora de campo.

PACIÊNCIA

Ceni garante terminar a carreira realizado e orgulhoso da trajetória. As primeiras oportunidades para jogar demoraram a aparecer e exigiram paciência. Da chegada à estreia foram três anos de espera. Para se tornar titular, mais quatro.

"Eu fiquei chateado em 1991, quando estava nos juniores, tinha uma condição de vida limitada e morava debaixo da arquibancada do Morumbi. Foi uma época difícil", contou.

O diretor de futebol do São Paulo na época, Fernando Casal de Rey, contou que no clube a expectativa não recaía sobre Rogério. "Ele era o terceiro goleiro. O grande talento da base no gol era o Alexandre, que chegou a jogar na Libertadores e infelizmente morreu em um acidente de carro em 1992."

Rogério Ceni passou quatro temporadas como reserva de Zetti, até herdar a posição com a ida dele para o Santos, no fim de 1996. Junto com a oportunidade no gol, recebeu do então técnico Muricy Ramalho o espaço para bater faltas, já que o elenco carecia de bons cobradores.

Anos antes dessa chance, colegas das categorias de base já o admiravam pela determinação. "Desde o início ele sabia onde queria chegar e lutou com todas as forças para isso", relembrou o ex-meia Juninho Paulista. "O Rogério sempre foi um jogador extremamente dedicado", elogiou Doriva, ex-técnico do São Paulo e companheiro de clube.

Segundo o preparador de goleiros do São Paulo, Haroldo Lamounier, o legado de Ceni é ter inovado no futebol brasileiro pela habilidade em jogar com os pés. Até mesmo rivais o reverenciam. "Tenho um respeito muito grande por ele. Foi uma referência para os goleiros", comentou o corintiano Cássio.

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