Rogério: de vilão a herói da Fiel

Início do segundo semestre de 2000, a diretoria do Corinthians apresenta, como um dos principais reforços, o volante Rogério, atualmente lateral-direito. Por estar vindo do arquirrival Palmeiras, que acabará de eliminar a equipe do Parque São Jorge da Copa Libertadores, a contratação foi bastante contestada pela torcida, que trocou o voto de confiança por palavras hostis. Neste domingo, um ano e meio depois, a resposta. Em cobrança de falta perfeita, Rogério marcou o gol do título do Rio-São Paulo e aproveitou para desabafar. "Depois de um início difícil, com dificuldade de adaptação e a torcida olhando meio desconfiada para mim, dei a volta por cima", disse o jogador. "Honrei a camisa, lutei o tempo todo e fui premiado com este gol", concluiu o lateral, que deixou o campo ovacionado. "É especial ver a torcida gritando seu nome, mexe com a gente." Ao lado do técnico Carlos Alberto Parreira, Rogério foi bastante requisitado nos vestiários. Com a habitual educação, atendeu a todos da imprensa e ainda distribuiu autógrafos, sempre com um largo sorriso no rosto. Além do título e do Dia das Mães, Rogério tinha outro motivo para comemorar neste domingo. Completava dois anos de casado com Alessandra, que ao lado de dona Inês, mãe do lateral, acompanhou, das tribunas do estádio, a consagração. "Este título dedico a elas, que sempre me apoiaram." Na sexta-feira, após os treinos no Parque São Jorge, Rogério previa fazer um gol de falta. Havia dito. "Nossa, faz tempo que não marco um de falta, quem sabe no domingo." Já o atacante Deivid, enfim, pôde comemorar um título como profissional. "É um sonho realizado, já havia chegado a quatro semifinais e perdido." O técnico Carlos Alberto Parreira chegou a exagerar sobre sua primeira conquista no futebol paulista. Comparou o título do Rio-São Paulo ao Mundial de 94. "Foi o mais importante da minha carreira, pois o do dia, o da hora, para mim, é o que vale mais", disse ele, que depois da decisão da Copa do Brasil, quarta-feira, embarca para a Coréia, onde acompanhará a Copa como consultor-técnico da Fifa. Elogios aos atletas não poderiam faltar. "Eles demonstraram bravura, não se entregaram, mesmo em desvantagem no placar e nos cartões amarelos. Lutaram muito e, no fim, alcançaram um resultado justo." Polêmica - Para não perder o costume, o vice-presidente do Corinthians, Antonio Roque Citadini, mais uma vez polemizou. "Antes de pensar em construir um estádio, temos de pensar é em reformar nossa sala de troféus." E sobre a possível transferência de Ricardinho para o São Paulo, foi irônico. "O Ricardinho interessa ao São Paulo, ao Corinthians e a todos clubes. Falam isso pela admiração que têm pelo atleta, mas só vão ficar nessa admiração."

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