Rogério diz que fica no São Paulo

O goleiro Rogério Ceni enrolou, enrolou, mas chegou a uma conclusão: decidiu ficar no São Paulo. Porém, impôs condições e aí pode estar utilizando uma estratégia para tentar fazer a diretoria sair como vilã e negociar o seu passe. A história poderia virar um longa-metragem. Começou como policial, com troca de acusações entre o jogador e o presidente do São Paulo, Paulo Amaral, sobre uma suspeita proposta envolvendo o Arsenal, da Inglaterra. Transformou-se em suspense: desde quinta-feira, ele não falava com a imprensa, começou a treinar um pouco distante dos companheiros, sempre calado, numa alusão de que sairia do Tricolor. O desfecho foi em forma de pastelão, com o "ator principal" convocando uma entrevista coletiva, em buffet chique na região central da capital paulista, ao lado de sua advogada, Gislaine Nunes, para fazer o "tão esperado" anúncio: "Fico no São Paulo." A notícia surpreendeu, pois todos davam como certa a sua saída. Por falta de proposta de outro clube e por seu passe ter sido avaliado pelo clube em R$ 13 milhões, Rogério decidiu permanecer. Disse que vai cumprir seu contrato até o final, no dia 30 de dezembro de 2004. "Sou são-paulino de coração e adoro a instituição São Paulo Futebol Clube." Sua explicação sobre o porquê de ficar, contudo, não convence. "Vou continuar única e exclusivamente pelos torcedores e por minha história no clube." Rogério e a sua advogada apostavam que pagando a multa rescisória de R$ 1.480.000,00 conseguiriam romper o compromisso com o Tricolor. Mas houve um erro de avaliação e ambos recuaram. A "novela Rogério Ceni" começou em abril, quando o jogador levou ao presidente do clube, Paulo Amaral, um papel timbrado da Tango Sports e Marketing, empresa de um amigo do goleiro, no qual havia uma proposta de US$ 4 milhões para contratá-lo. Para não sair, o jogador pediu aumento. Amaral disse que não havia condições e o liberou a negociar com o clube inglês. O caso não progrediu. Há duas semanas, as duas partes começaram uma guerra de declarações desabonadoras, via imprensa. Apesar da ?comédia? de hoje, a permanência do jogador não está confirmada. Rogério acusa Paulo Amaral e José Dias, diretor de Futebol, de mentirosos e exige uma retratação do presidente, alegando que o memo o difamou. "Eles disseram muitas inverdades. Não é do meu caráter pedir aumento antes de uma decisão e nem simular uma contusão", esbravejou. E falou em processar Amaral. "Caso a retratação não venha por bem, vai ser na área judicial." O jogador acrescentou que só manterá contato com a diretoria por meio de sua advogada. Paulo Amaral e José Dias foram procurados pela Agência Estado, mas não quiseram se pronunciar. Amanhã, o presidente deve falar sobre o assunto à imprensa durante a apresentação do ex-goleiro Zetti como o novo treinador do time de juniores. O técnico Edson Machado foi demitido.

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