Rojas confia em Aílton no Ceará

O São Paulo, que enfrenta o Fortaleza, nesta quarta-feira, às 21h40, no Ceará, vai brigar para não precisar pagar algumas dívidas e poder pôr em caixa parte dos mais de US$ 10 milhões que faturou com a venda de Kaká e Júlio Baptista nas últimas semanas. A idéia é não cumprir o compromisso com alguns credores e arrastar os casos para a Justiça, como já ocorre com o zagueiro Ameli, que cobra cerca de seis meses de salário ? o argentino teve seu contrato rescindido. O clube deve ao Servette US$ 2,9 milhões pela compra dos direitos do atacante Dill, efetuada em 2001 pela diretoria, presidida, à época, por Paulo Amaral, e não pretende acertar as contas com os suíços. Conforme tratado entre os dirigentes, o São Paulo não pagaria à vista, mas repassaria ao Servette 15% de cada venda que fizesse posteriormente ? excluindo Belletti e França ? até alcançar os US$ 2,9 milhões. Isso significa que teria de dar aos suíços US$ 420 mil pela saída de Júlio Baptista e US$ 1,230 milhão pela de Kaká ? ficaria faltando US$ 1,250 milhão ?, mas não é o que passa pela cabeça da cúpula tricolor. ?Ainda nem recebemos a cobrança e estranhamos algumas coisas nesse caso. Se recebermos, vamos passar para o Departamento Jurídico, não pagaremos pacificamente, porque entendemos que o direito desse recebimento pelo Servette não é líquido e certo?, explicou João Paulo de Jesus Lopes, diretor financeiro. ?O caso pode ir para a Justiça.? Embora Dill tenha jogado mal no Morumbi e feito apenas um gol em jogos oficiais, chegou valorizado depois de ter sido um dos artilheiros do Campeonato Brasileiro de 2000 e se transferido para o futebol europeu. Na Europa, seus direitos estavam vinculados ao Servette, mas quem bancou sua contratação foi o Canal Plus, com sede na França. O atacante está, agora, no Botafogo-RJ. Além de estar otimista com a possibilidade de o time conseguir uma vaga na Libertadores de 2004 ? é o principal objetivo de sua gestão ?, o presidente Marcelo Portugal Gouvêa pretende encerrar o mandato, em abril de 2004, com as finanças em dia. E, claro, fortalecer sua candidatura à reeleição. Vem tomando, por isso, algumas atitudes pouco convencionais. Uma delas foi a de não dar a comissão a Wagner Ribeiro, empresário de Kaká, pela negociação do meia ao Milan. Outra foi a de pedir ao próprio jogador que abrisse mão dos 15% do valor total da transação a que teria direito. O meia Ricardinho, porém, não tem motivos para se preocupar. Assim que o pagamento do Milan chegar à conta do São Paulo ? em aproximadamente duas semanas ? o jogador será devidamente remunerado. O clube lhe deve cerca de R$ 1,5 milhão referente a direitos de imagens e luvas. O atleta ainda se recupera de contusão e não enfrenta o Fortaleza. O lateral-esquerdo Fabiano, que interessa ao Bétis, da Espanha, foi suspenso, nesta terça-feira, pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva, por dois jogos e, por isso, fica fora. Como já cumpriu um, poderá jogar no fim de semana, contra o Vasco. Luís Fabiano e Leonardo Moura também cumprem suspensão. O técnico Roberto Rojas vai pôr em campo o jovem meia Aílton, de 19 anos, com o objetivo de dar mais criatividade ao meio-campo, improdutivo no empate por 0 a 0 contra o Criciúma. Um tropeço em Fortaleza pode derrubar a equipe até para a quinta posição do Brasileiro.

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