Rojas opta pelo ostracismo no São Paulo

Roberto Rojas, há alguns meses, era assediado pelos repórteres após os treinos, uma das figuras principais depois das partidas. Recebia ligações de jornalistas constantemente, ganhava convites para diversos eventos e festas e estava sempre na tevê e nos jornais. Hoje, passa despercebido após as atividades no Centro de Treinamento, quase não é chamado para entrevistas e ainda tem salário menor que em 2003. Tudo por opção. A escolha, por incrível que possa parecer, foi do próprio chileno, que deixou o cargo de treinador para voltar ao de preparador de goleiros. Ele poderia se manter como técnico, se quisesse. No fim do ano, pouco antes do fim do Campeonato Brasileiro, recebeu duas propostas - com vencimentos melhores do que no São Paulo -, uma do Coritiba, que disputará a Taça Libertadores da América nesta temporada, e outra do Atlético-MG, mas preferiu permanecer no Morumbi e seguir na carreira que dá menos prestígio e menos dinheiro. "Não sou vaidoso nem marqueteiro e dinheiro não me preocupa." Treina Rogério Ceni e os outros três goleiros são-paulinos e tem relação amistosa com o comandante Cuca, a quem procura auxiliar quando necessário. Ganhava R$ 28 mil como treinador, pois o clube lhe deu um bônus no ano passado, e teve o valor bem reduzido em 2004. Admite que ficou triste quando soube da diretoria que não permaneceria no cargo - tanto que, na ocasião, evitou a imprensa e faltou a eventos promovidos pelo próprio São Paulo. Mas, mesmo assim, preferiu não mudar de cidade nem de clube. Sabe que, no São Paulo, tem a segurança que talvez possa não encontrar em outras equipes. Afinal, foram os são-paulinos que o acolheram depois que a Fifa o baniu do futebol, por causa do episódio da fogueteira, em 1989, no Maracanã, no confronto entre Brasil e Chile, pelas Eliminatórias. Por que não quis seguir na carreira de treinador? Roberto Rojas - Tive convite do Coritiba e do Atlético-MG no ano passado, mas não quis. No futebol, quando você troca de clube, tem de mudar muita coisa na sua vida. É difícil, minha família está bem adaptada aqui a São Paulo. Às vezes, você vai para outro clube ganhando mais, mas acaba não sendo feliz. Mas então não pensa mais em trabalhar como técnico? Rojas - Se tiver de acontecer de voltar a ser técnico, será mais para a frente e vai acontecer do mesmo jeito, mas não vou ficar procurando. Você classificou o time para a Libertadores, mas acabou sendo substituído. Quando soube que saíria, ficou aborrecido... Rojas - Nosso trabalho no ano passado foi muito bom, mas a avaliação não é feita pela gente. Depende de outros tipos de pessoas... Não digo que fiquei chateado. Fiquei triste, mas foi só por um ou dois dias.Depois, passei a olhar a situação de forma positiva. Agora, procuro ajudar a nova comissão técnica. E financeiramente a mudança também não foi boa, porque perdeu aquele bônus que tinha no ano passado, não? Rojas - É, mas dinheiro é uma coisa que não me preocupa. Sua vida mudou bastante em relação ao ano passado. Era assediado pela imprensa, estava sempre na mídia... Não sente falta disso? Rojas - Não sofro com isso. Agora está acontecendo a mesma coisa que ocorreu quando parei de jogar futebol (o ex-goleiro do Chile parou de jogar futebol em 1989, após as Eliminatórias para a Copa de 90). Nunca fui vaidoso. Você sabe, nunca fiz questão de dar entrevista, de aparecer. Não sou marqueteiro, não preciso disso.

Agencia Estado,

29 de janeiro de 2004 | 09h15

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