Roma "brasileira" prepara a festa

Nápoles é a terra das reações exageradas, em que o meio-termo não tem vez. Por ironia da tabela do campeonato, a principal cidade do Sul da Itália deve ser palco, neste domingo, de momentos de extrema felicidade e de tristeza profunda. A alegria pende para a Roma, que conquista o terceiro título de sua história se ganhar do Napoli, no clássico marcado para o Estádio San Paolo. A derrota praticamente remete o time da casa de volta à Série B, de onde saiu no ano passado. A Roma preparou-se para fazer a festa na casa do adversário, na penúltima rodada da temporada de 2000-2001. O time do técnico Fabio Capello depende apenas de seus resultados para voltar à hegemonia nacional, o que ocorreu até hoje apenas em 1942 e em 1983. O primeiro scudetto, dizem as más línguas, ficou por conta da interferência de Benito Mussolini, o ditador que levou o país à Segunda Guerra Mundial e que era torcedor do time. O segundo veio sob o comando do lendário presidente Dino Viola e com Paulo Roberto Falcão na função de regente do meio-de-campo. A Roma tem 71 pontos, contra 67 da Juventus e 66 da Lazio, a rival romana e campeã do ano passado. O título pode vir até com empate, desde que a Juve também não vença o duelo como visitante contra o Vicenza (33 pontos e ameaçado de rebaixamento) e a Lazio não passe pela Fiorentina (43), no Estádio Olímpico. Mesmo que perca, a Roma terá a derradeira oportunidade de colocar as faixas na rodada final, dia 17, ao receber o Parma. "A decisão é agora", avisa Antonio Carlos, que os italianos preferem chamar de Zago, o sobrenome de origem peninsular. "Não podemos deixar para definir em cima da hora", avisa o ex-são-paulino, que ainda não sabe se continua no clube. A Roma tem as cores da capital - vermelho e amarelo -, surgiu em 1927 da fusão dos clubes Fortitudo, Alba e Roman, mas o sotaque no momento é "brasileiro". Com exceção da Lazio dos anos 30 e dos cinco irmãos baianos Fantoni, jamais um time da Itália teve tantos atletas importados do Brasil. Além de Antonio Carlos, a base é formada por Cafu, Émerson, Marcos Assunção e Aldair, 35 anos e uma década como titular. Mas a grande jogada do presidente Franco Sensi foi a contratação, em junho de 2000, de Gabriel Batistuta. O goleador argentino trocou 10 anos de Fiorentina pela perspectiva de enfim comemorar um título italiano. O centroavante justificou a fama, marcou 18 gols, mas perdeu várias rodadas importantes por causa de contusões. Como ocorreu também com Émerson, que a Roma tirou do Bayer Leverkusen por US$ 11 milhões. O volante gaúcho ficou seis meses afastado, logo após a chegada, voltou no começo do ano, mas tornou a se machucar em maio. O arguto Capello, que guiou o Milan em grandes conquistas nos anos 90, também contou com o talento dos "nativos" Totti, Delvecchio e Tommasi. Com futebol eficiente, de marcação forte e contragolpes certeiros, a Roma chega à penúltima rodada como time da moda. O Parma está com 56 pontos, não tem como perder o quarto lugar e joga em casa com o Verona. As demais partidas são Bari x Inter, Bologna x Lecce, Perugia x Reggina, Atalanta x Udinese e Milan x Brescia.

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