Roma: briga vira conflito diplomático

A briga entre jogadores da Roma e do Galatasaray, quarta-feira, no estádio Olímpico, virou incidente diplomático. Os turcos reclamaram da polícia italiana, que na opinião deles interveio de forma destemperada e tomou partido dos jogadores da casa. O ministro do Exterior da Turquia foi mais duro, ao afirmar que os agentes de segurança usaram métodos violentos, como nos tempos do ditador Benito Mussolini. "Consideramos a observação completamente fora de propósito", reagiu Vittorio Surdo, embaixador da Itália na Turquia. "Não podemos aceitar a crítica e esperamos que não se repitam esses termos." O diplomata foi chamado à sede do governo turco, em Ancara, para receber protesto formal de Ismail Cem, o ministro do Exterior. O embaixador da Turquia em Roma também reclamou e pediu proteção especial para o embarque da delegação, nesta quinta-feira, no aeroporto de Ciampino. A confusão começou assim que terminou o jogo, com empate de 1 a 1, pela quinta rodada da Liga dos Campeões da Europa. O centroavante Batistuta bateu boca com Asik Emre e a discussão enveredou para a troca de socos. O volante Lima, da Roma, também entrou na história e partiu para a agressão, sob a justificativa de que havia sido insultado no jogo. O brasileiro entende turco porque jogou no Gazientpespor entre 96 e 98. A pancadaria foi generalizada e a polícia não economizou no uso dos cassetetes. Um dos mais atingidos foi Emre, que precisou sair do campo na maca. "A polícia tentou cumprir sua missão e foi agredida", rebateu Antonio Del Greco, responsável pela tropa de choque no estádio romano. O relatório entregue às autoridades indica que um dos atletas mais exaltados era o goleiro colombiano Mondragón. Em compensação, isenta Cafu de qualquer culpa. "Ele foi um dos poucos que se mantiveram completamente longe do tumulto", afirmou Del Greco. O técnico Fabio Capello também foi acusado pelos turcos de incentivar a violência. "De jeito nenhum", reagiu o treinador da Roma. "Procurei apenas separar meus atletas." O caso será analisado em reunião do Comitê Executivo da União Européia de Futebol no dia 22. Os clubes e os jogadores dificilmente escaparão de multas e suspensões. A partida serviu também de desabafo para Aldair. O zagueiro, de 36 anos, entrou no segundo tempo e deu o passe para o gol de Cafu. Depois, mostrou tristeza por ter sido considerado "velho" pelo presidente Franco Sensi. "Sempre tive afeto pelo clube e pelos dirigentes e mostrei que ainda posso ser útil", afirmou o brasileiro, que desde 90 joga na Roma e não gostou de ouvir que será substituído no elenco por "atleta mais jovem", conforme declarou o cartola. "Posso jogar mais um ano, aqui ou em outro clube."

Agencia Estado,

14 Março 2002 | 16h04

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