Roma e Lazio atrai 85 mil torcedores

A capital italiana vai parar amanhã para um dos clássicos mais tradicionais do país. Cerca de 85 mil pessoas vão assistir a Roma e Lazio, no Estádio Olímpico, proporcionando arrecadação de quase US$ 2 milhões. O jogo pode deixar a equipe dos brasileiros Cafu, Antônio Carlos, Aldair, Emerson e Marcos Assunção muito perto de quebrar um tabu de 18 anos e conquistar o título nacional. "O ânimo do torcedor é muito grande; todos os ingressos da partida já haviam sido vendidos com uma semana de antecedência", contou o zagueiro Antônio Carlos, em entrevista à Agência Estado, por telefone. A rivalidade também promete estar presente em campo. Lazio e Roma se enfrentam desde 8 de dezembro de 1939.Uma derrota do time de Fabio Capello pode embolar a briga pelo primeiro lugar. A Roma, com 62 pontos, sofre ameaça da Juventus, 56, e da própria Lazio, 55. Os torcedores e Capello não escondem a preocupação com a partida de amanhã à noite na Itália, principalmente por causa dos desfalques do time. Emerson contundiu-se no treino de sexta-feira e não poderá jogar. Antônio Carlos e Montella também estão machucados. O treinador da Lazio, Dino Zoff, aposta, mais uma vez, no talento dos argentinos Hernán Crespo, Verón e Simeone. O português Fernando Couto, suspenso, fica fora.Os jogadores da equipe líder do Campeonato Italiano quase não conseguem caminhar pelas ruas de Roma, tanto é o assédio do torcedor, empolgado com a possibilidade de comemorar um título quase duas décadas depois. "Às vezes até incomoda um pouco; muita gente vem pedir autógrafo no meio de um jantar", comentou Antônio Carlos, que assistirá ao clássico das tribunas do Olímpico.O clima de euforia, no entanto, contrasta com um sentimento de apreensão entre os próprios torcedores. Após a conquista de 1983, a equipe chegou a ter oportunidades de levantar a taça, mas acabou desperdiçando. "O torcedor sempre nos procura para pedir que a gente não relaxe e mantenha a seriedade." Na próxima rodada, outro jogo decisivo. A Roma vai até Turim para enfrentar a Juve. Segundo os romanos, uma vitória neste domingo e outra no próximo fim de semana praticamente garante o scudetto.Além de ter craques no time, como o argentino Gabriel Batistuta, um dos fatores que estão levando a Roma aos bons resultados é o entrosamento e o bom relacionamento entre os brasileiros. Nos dias de folga, eles se reúnem para fazer um churrasco ou comer uma feijoada. Durante o encontro, entre os assuntos mais comentados está o tema seleção brasileira.Lá, ninguém entende por que o técnico Emerson Leão não convocou os estrangeiros. "Acho que nas eliminatórias é preciso escalar os melhores, os mais experientes e esses estão na Europa; no Brasil não há grandes clubes no momento", justificou Antônio Carlos. "Não é uma competição para experiências e o nome do jogador faz diferença, impõe respeito."O zagueiro não esconde que tem esperanças de voltar a ser convocado para a seleção. Desde que a comissão técnica comandada por Wanderley Luxemburgo foi demitida, ele não teve mais chances. Faz questão de dizer que está sendo considerado, na Itália, um dos melhores atletas da posição na atual temporada. Embora diga que o Brasil está jogando mal, não faz críticas a Leão. "Nunca trabalhei com ele para falar alguma coisa."Rodada - A Juventus enfrenta o Lecce, em Turim, e deve manter-se no encalço da Roma. Outros jogos: Atalanta x Bologna, Brescia x Inter, Fiorentina x Udinese, Milan x Verona e Bari x Perugia.

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