Roma enlouquece com o tetracampeonato da Itália

Milhões de italianos, loucos de alegria por ter ganho a Copa do Mundo diante da França, foram para as ruas neste domingo à noite gritando e cantando. Um buzinaço ensurdecedor, incontáveis bandeiras tricolores e ondas de fogos de artifício invadiram as ruas. Os três lugares da Itália que reuniram a maior aglomeração de torcedores foram o Circus Maximus, em Roma, a Piaza Duomo, em Milão e a Piaza del Plebiscito, em Nápolis. Para a torcida italiana, a explosão da alegria que acompanhou o pênalti de Fabio Grosso foi um grito de liberdade. Quando começou a Copa do mundo, poucos italianos apostavam na possibilidade da própria seleção chegar até a final. Os escândalos de fraude e falta de ética no esporte haviam tocado a paixão nacional, deixando um rastro de descredibilidade na honestidade esportiva. A vitória do tetra reconquistou nos torcedores a vontade de acreditar no futebol. "Acho que o problema está nos dirigentes e não nos jogadores? disse o torcedor Cesare Cantiani, em Roma durante a festa da vitória. Os vendedores ambulantes também festejaram. Cada bandeira ?tricolor? era vendida na capital por 8 euros. Alguns comerciantes se lamentavam porque haviam vendido mais bandeiras da paz, com as cores do arco-íris, contra a guerra no Iraque, do que as clássicas italianas. Na Capital, a torcida se concentrou no gramado do Circo Massimo, onde os antigos romanos competiam com corridas de carroças puxadas por cavalos, dois mil anos atrás. A prefeitura montou três telões com as imagens ao vivo do jogo. As faixas dos torcedores eram provocatórias. ?Galinacci, vi spelliano vivi? ("Galinhas, vamos depená-los vivos"). Não faltaram também os insultos a Napoleão Bonaparte, insinuando que imperador francês era homossexual. A canção principal não era o hino da Itália, composto por Mamelli, mas a música "Seven Nation Army", da banda norte-americana The White Stripes. A festa durou até a madrugada. O serviço de segurança foi reforçado nas principais cidades do pais. Em Roma, foi proibida a circulação de carros no centro histórico e a venda de bebidas em garrafas de vidro, mas pouco adiantou. Os vendedores clandestinos também fizeram a festa. Uma cerveja em garrafinha de vidro custava 5 euros e ninguém reclamava do preço. Valia de tudo, a Itália é tetra.

Agencia Estado,

09 Julho 2006 | 21h19

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.