Arquivo/AE
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Romário dará depoimento à polícia sobre 'jogo de azar'

Ex-jogador teria participação no esquema conhecido como 'Pirâmide'; ele pode ajudar a esclarecer morte

Bruno Lousada, O Estado de S. Paulo

20 de julho de 2009 | 19h05

Romário será chamado pela polícia para prestar novo depoimento sobre sua suposta participação no jogo de azar conhecido como Pirâmide. A polícia quer saber se o ex-jogador deu um de seus carros (no caso, uma Hummer H2, avaliada em R$ 400 mil) a Glauber de Jesus Matos do Nascimento, de 37 anos, assassinado no dia 10 de janeiro. "Ele não tem participação nenhuma no crime, mas pode nos ajudar na investigação", disse o delegado Sérgio Lomba, titular da 24ª Delegacia Policial (Piedade). Glauber foi morto com dez tiros de fuzil, na Abolição, bairro da zona norte.

 

Romário se defendeu nesta segunda-feira das acusações, durante lançamento de sua biografia, escrita pelo jornalista Marcus Vinicius Rezende de Moraes, num shopping do Rio. "O tempo vai dizer sobre isso (a Pirâmide). Isso é absurdo e vai clarear com o tempo", comentou.

 

Indagado se procede a informação de que ele teria dado uma Hummer para Glauber, Romário respondeu: "Não posso dizer o que procede ou não. Vocês (jornalistas) vão esperar e meu advogado vai tentar provar minha inocência", argumentou.

 

O delegado soube nesta segunda pelo Detran que o veículo está registrado no nome da atual mulher de Romário, Isabella Bittencourt, mas constatou que o licenciamento do carro está vencido. O último só foi feito em 2007. "Ou seja, pode ter havido alguma transferência (de proprietário) de lá para cá sem a legalização dos documentos ", disse.

 

"Se comprovar que o jipe que pertenceu a Romário foi dado ou vendido a Glauber (para quitar a dívida da Pirâmide), o jogador poderá ser indiciado por falso testemunho", explicou. Isso porque, no dia 20 de maio, Romário negou na 24ª DP qualquer participação nesse jogo de azar.

 

Na época, o ex-atacante fora chamado a depor porque a polícia recebeu informação, por meio de um Disque-Denúncia, de que ele teria presenciado a briga entre Glauber e Jorge Alexandre Tavares Domingues, que seria o cabeça da Pirâmide. Romário negou que tenha visto qualquer rixa entre eles. A polícia ainda não conseguiu localizar Domingues e investiga também se Glauber morreu por envolvimento com máquinas caça-níqueis.

 

Romário vive um inferno astral. Na última semana, passou 22 horas na Delegacia da Barra (16.ª DP) por não pagar pensão alimentícia dos filhos Romarinho e Moniquinha, e acumula dívidas com o Estado e a Prefeitura do Rio. Deve R$ 51 mil de IPVA de seu Mercedes ML 320 e R$ 1 milhão em IPTU.

 

Ele também já fora condenado a pagar R$ 5,5 milhões a um casal de vizinhos no luxuoso condomínio Golden Green, no Rio de Janeiro. Romário, cujo imóvel de R$ 9 milhões deve ir a leilão, fez obras em sua cobertura que danificaram o apartamento de baixo.

 

Romário desabafou nesta segunda. "Sou um cara do bem. Nunca tive intenção de lesar ninguém, não matei ninguém e não roube ninguém. Sou um cara muito querido no Brasil." Em vários momentos, esbanjou bom humor. "Não fui eu que matei o Michael Jackson ou trouxe a gripe suína para o Brasil. Parece agora que eu virei o vilão do Brasil."

 

Em tom de brincadeira, ele até fez um apelo para que as pessoas comprem muito o seu livro, com o intuito de pagar em dia as pensões dos seus filhos. "Das coisas que estão saindo por aí, 80% não são verdadeiras. O que for dívida com a Justiça, eu vou pagar quando chegar o momento." "Não estou envergonhado com nada. Atravesso uma turbulência, sempre fui guerreiro e, com certeza, vou mostrar quem sou e sair dessa."

 

O QUE É PIRÂMIDE?

A pirâmide financeira é um esquema onde os participantes só ganhamdinheiro caso recrutem novos membros. Para entrar, o investidor precisa pagar uma quantia, que é "doada" à pessoa que o recrutou. Cada novo integrante tem como objetivo encontrar novos membros e, com isso, subir degraus na pirâmides e ter uma base maior de ganhos. O principal problema da pirâmide é que, no caso do número de clientes do esquema se estabilizar ou recuar, ela entra em colapso porque há mais saques do que depósitos. Neste caso, quem participa dela acaba ficando sem os recursos.

 

Romário teria servido como de chamariz para supostos investidores. A pirâmide na qual teria participado quebrou e o ex-atacante teria dívida de R$ 10 milhões. (Colaborou Mônica Ciarelli)

Atualizado às 22h08 para acréscimo de informação

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