Romário e França brilham no Morumbi

Os dois renegados por Luiz Felipe Scolari chamaram todas as atenções no jogo de hoje no Morumbi. França mostrou a técnica de sempre e marcou um belo gol. Romário foi além. Fez dois gols em cinco minutos, quando o jogo já parecia definido para o São Paulo. O técnico da Seleção assistiu o jogo das tribunas "Mostrei um pouquinho do que eu posso, né? Tenho certeza que o Felipão gostou do que viu", disse Romário.Mas a pergunta continua no ar. Ele vai para a Copa ? Para Romário, é tudo uma questão de tempo. Confiante como nunca, o Baixinho falou que tem certeza de que estará no grupo dos 23 que vai ao Mundial. "De um a dez, minhas chances são onze. Por enquanto, o Felipão está fazendo testes. Na hora em que ele parar de fazer os testes e chamar realmente os melhores, eu estarei na lista. Eu não preciso mais ser testado", disse.Romário não quis trombar de frente com o treinador. Disse que não considera uma injustiça o fato de não ter sido convocado para o jogo de quinta-feira, contra a Bolívia, em Goiânia. Não considerou os dois gols de hoje como uma resposta para o treinador. "Estou numa fase na minha vida em que não tenho que dar resposta para mais ninguém. Entro em campo para fazer os gols e faço. O Felipão está no direito dele e não acho uma injustiça não ter sido chamado." O jogador vascaíno disse que gostaria de conversar com Felipão sobre sua única atuação na Seleção sob o comando do treinador. Romário jogou mal contra o Uruguai, na estréia de Scolari, e o Brasil foi derrotado em Montevidéu. "Gostaria de conversar com ele. Muita coisa foi dita a respeito daquele jogo. Nós temos amigos em comum e ele poderia ter me procurado para esclarecer alguma coisa.?Foi uma atuação bem ao estilo de Romário. No primeiro tempo, ele praticamente não apareceu. Errou feio uma finalização em contra-ataque puxado por Euller e Léo Lima e tentou um chute de fora da área que parou nas mãos de Ceni. Quando o jogo estava 2 a 0 para o São Paulo, ele apareceu.No primeiro gol, o contra-ataque foi puxado por Euller, contratado pelo Vasco a pedido de Romário. O Baixinho, marcado por Émerson, se antecipou e iniciou a virada vascaína. No segundo, começou a jogada pela esquerda e foi para a pequena área. Quando Leonardo chutou cruzado, ele estava no lugar certo. Fez o gol e pediu para a torcida são-paulina ficar calada. "Estou pronto para ser convocado. Não importa se para amistoso ou para a Copa do Mundo. Tenho uma história de 15 anos na Seleção. Me apresento como todos os outros, treino como todos os outros." Já são três gols em duas partidas no ano e Romário parece pronto para repetir as atuações do ano passado, quando foi artilheiro do Campeonato Brasileiro. "Quando comecei a temporada, falei que estava treinando para ser ainda melhor do que no ano passado e em 2000. Estou fazendo meu trabalho para isso e marcando meus gols", disse ele, que vai perder uma boa chance de aumentar sua marca no próximo jogo, contra o medíocre América-RJ. Amanhã ele viaja para a Holanda para acertar problemas com o fisco de lá. Na última semana, ele foi condenado a pagar US$ 100 mil de impostos devidos da época em que jogava pelo PSV. Só volta para o Brasil na quinta-feira.França não falou de Seleção. Preferiu elogiar Romário. "Não pode deixar o Romário sozinho. Ele é um jogador que tem uma colocação excepcional. Não pode descuidar. Mas esse não foi o problema. O que aconteceu foi que teríamos que ter trabalhado mais a bola quando estávamos vencendo." O atacante são-paulino fez ontem seu 159º gol pelo time. Ultrapassou Müller e está isolado como o quarto maior artilheiro da história do clube. Agora, terá seis meses para tentar ultrapassar Teixeirinha, atacante do time nas décadas de 40 e 50, que tem 184. Precisa fazer praticamente um gol por jogo para cumprir sua meta.Hoje França fez sua "reestréia" no time. Depois de ter sido finalmente vendido para o Bayer Leverkusen, por US$ 8 milhões, ele foi para a Alemanha, assinou contrato, mas só vai se apresentar ao time no segundo semestre. Nos últimos dias, treinou sozinho no CT para recuperar a forma e só confirmou presença no jogo no meio da semana.Ao contrário de Romário, França participou do jogo bem mais, voltando para armar jogadas (como a do primeiro gol, em que tocou a bola para Kaká) e subiu muito de produção no segundo tempo.Cada um a seu estilo, os dois jogaram muito. Só falta Felipão escolher.

Agencia Estado,

27 de janeiro de 2002 | 20h18

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