Romário é poupado nos treinos de Leão

Não é apenas no Vasco que Romário recebe tratamento diferenciado por parte da diretoria. Durante a rápida excursão da seleção brasileira pela América do Norte, foi dispensado de várias atividades. Em algumas ocasiões, treinou separadamente. Em outras, nem foi para o campo. O técnico Emerson Leão sabe que o atacante não tem mais condições de fazer exercícios físicos pesados e prefere poupá-lo a correr riscos. O treinador espera contar com ele na Copa de 2002, porque tem consciência de que há escassez, no Brasil, de jogadores com sua habilidade para o ataque. Tanto que lhe deu a tarja de capitão nas partidas contras os Estados Unidos e o México."O Romário não é mais jovenzinho e, por isso, precisamos ter um cuidado especial com ele", afirmou Leão. No ano passado, o técnico percebeu que não poderia exigir muito do jogador. Às vésperas do jogo contra a Colômbia, em novembro, pelas eliminatórias, durante um treino no Pacaembu, Romário sentiu uma contusão depois de fazer uma série de alongamentos. Teve de ser cortado da equipe.Na semana passada, no Estádio Rose Bowl, em Pasadena, um dia antes do amistoso contra os Estados Unidos, a seleção treinou em dois períodos. Pela manhã, todos trabalharam normalmente. À tarde, enquanto os jogadores fizeram exercícios físicos e "bateram bola", Romário ficou sentado num banco, apenas observando.Em Guadalajara não foi diferente. Ao mesmo tempo em que os atletas corriam em volta do gramado, Romário só trocava passes com Leão, no meio-de-campo. Fora das quatro linhas, porém, vem recebendo um tratamento parecido com o dos demais brasileiros, ao contrário do que ocorre no Vasco. No clube carioca, ele fez um acordo com o presidente Eurico Miranda. Concentra-se com o grupo apenas na véspera dos jogos e é liberado nos outros dias, mesmo que seus companheiros estejam reunidos.Apesar de não ter mais uma boa condição física, o atacante mostra-se confiante em continuar jogando por mais um tempo. Por enquanto, nem ele sabe. Mas deixou claro que não é por muito pouco. Afinal, acredita poder ultrapassar Pelé e tornar-se o maior artilheiro da história da seleção brasileira. O Atleta do Século marcou 77 gols e ele, 58. "Sei que não será fácil, mas é um objetivo que tenho e acredito ser possível." Prefere, no entanto, evitar falar sobre a próxima Copa do Mundo, embora sempre seja questionado sobre o tema. "Não quero fazer planos, vamos seguir passo a passo." O Baixinho justifica que, das últimas vezes, se deu mal quando traçou uma meta. Sonhava disputar a Copa da França e a Olimpíada de Sydney. Acabou não indo para nenhuma das duas.

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