Romário fará propaganda da Coca-Cola

Quem apostou que a Coca-Cola ficaria de fora do futebol brasileiro depois de ter sido preterida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) como patrocinadora da seleção canarinho, errou feio. A empresa iniciou a semana escalando o jogador Romário para convocar a torcida a participar de promoção com a qual levará 40 torcedores, mais um acompanhante cada um, aos jogos da seleção no Japão e na Coréia do Sul. Romário está rindo à toa no papel de quem tem o poder de convocar para a Copa do Mundo nos comerciais criados pela agência de publicidade McCann-Erickson.A iniciativa, segundo o diretor de Marketing da Coca-Cola Brasil, Fernando Mazzarolo, é apenas o pontapé inicial da estratégia da empresa, que investiu R$ 200 milhões no marketing da marca no ano passado. "O dinheiro que era usado para patrocinar a seleção brasileira continuará a ser empregado em iniciativas relacionadas ao esporte, que tem mais a ver com o brasileiro." Dentre as previstas, está a inauguração do Museu Pelé e atividades relacionadas com o atleta, e o patrocínio de campeonatos como o Nordestão e o Paulistão, além da participação nos estádios nos jogos do Clube dos 13. A empresa prefere denominar Copa Coca-Cola Nordeste e interior paulista os jogos dos campeonatos que estimulou nas duas regiões.A companhia americana, líder mundial do mercado de refrigerantes com faturamento da ordem de US$ 20 bilhões, promete ainda muita polêmica e barulho este ano. Muito além do processo de indenização que move na Justiça contra a CBF pelo rompimento unilateral do contrato de patrocínio em março do ano passado e que venceria este ano, com direito de renovação até 2006.Dona de uma fatia de 50% do mercado brasileiro de refrigerantes, a Coca-Cola não dará dor de cabeça apenas à CBF, mas especialmente à sua principal concorrente AmBev, a fabricante do guaraná Antarctica. A companhia que a substituiu como patrocinadora oficial da seleção e está desembolsando desde o ano passado US$ 10 milhões por ano em 18 anos para patrocinar a seleção. Só que a Ambev, no que depender da Coca-Cola, irá sentir um gostinho amargo daquele de pagou, mas não levou, no que se à seleção brasileira e seu maior evento, a Copa do Mundo. Por determinação da Fifa, de quem a Coca-Cola é patrocinadora oficial, a AmBev está proibida de usar a expressão Copa do Mundo, nem seu guaraná terá acesso aos estádios onde se realizarão os jogos oficiais.A Coca-Cola também fechou contrato de exclusividade na categoria refrigerante com a TV Globo, se valendo do que mantém com a Fifa, que proíbe a presença de outros refrigerantes no evento. Como o Brasil é o terceiro mercado mundial da Coca-Cola, depois de Estados Unidos e México, essa briga promete novos lances. O torcedor pode sair ganhando, afinal a Fifa só não tem como administrar ainda as camisetas que as torcidas deverão usar nos jogos.

Agencia Estado,

09 de janeiro de 2002 | 19h49

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.