Romário: gols, irreverência e títulos

O grande nome do futebol brasileiro dos anos 90 ganhou notoriedade pelo talento e pela vocação de se envolver em polêmicas. À proporção que marcava belos e importantes gols, aumentava a lista de desafetos - resultado de um misto de irreverência e atrevimento. Romário pretende deixar o futebol depois de fazer 822 gols em jogos oficiais, como profissional. Ele é o segundo artilheiro da Seleção Brasileira, com 70 gols, atrás apenas de Pelé, autor de 95. Esteve em vários clubes de projeção internacional: Vasco, Flamengo, PSV Eindhoven, Barcelona e Fluminense, além de Valencia e Al-Saad.A fama se consolidou com a bela campanha na Copa do Mundo de 1994, quando ofuscou o restante do grupo - com exceção de Bebeto - para conduzir a equipe ao tetracampeonato, nos Estados Unidos. Antes, já se destacara pelo Vasco e PSV, como artilheiro de várias competições. Pelo primeiro, conquistou o bicampeonato Carioca em 1986/87. Com o PSV, chegou ao tricampeonato da Holanda em 1989/90/91.Atitudes fora de campo também compunham o perfil do craque. Bem cedo, em 1985, começou a despontar como indisciplinado ao ser cortado da seleção brasileira de juníores: a alegação da comissão técnica era a de que Romário ficava na janela do hotel da concentração se exibindo seminu para as mulheres que passavam na rua. Mais tarde, teve grave desavença com Vanderlei Luxemburgo, o que provocou a demissão do técnico no Flamengo. Os dois voltariam a protagonizar uma disputa paralela pouco antes dos Jogos de Sydney, em 2000. Romário queria participar da Olimpíada, mas Luxemburgo o deixou fora.Em 1994, foi eleito o melhor do mundo e se credenciou a fazer parte do grupo em 1998, na Copa da França. No entanto, um problema muscular precipitou seu afastamento. Romário atribuiu o corte a uma perseguição pessoal do então treinador da seleção, Zagallo, e do coordenador-técnico Zico. Em represália, mandou pintar na porta de banheiros de uma casa noturna da qual era dono, no Rio, caricaturas de ambos, em situações constrangedoras. Até hoje responde processo na Justiça pela brincadeira.Títulos - Romário foi vencedor ainda de duas Copas América (1989 e 1997), da Copa das Confederações de 1997, de quatro Cariocas pelo Flamengo (1996/97/98/99), de outro título do Rio, pelo Vasco, em 2000 e, sem a camisa da seleção, do mais importante de todos: o do Campeonato Brasileiro de 2001, também pelo Vasco. Entre uma e outra conquista, ganhava espaço na mídia internacional pelas declarações provocativas.Referiu-se uma vez a Pelé como "peça de museu". Criticou severamente Roberto Carlos pelo desempenho na Copa de 1998 e andou às turras com Edmundo, várias vezes, por diversos motivos.Alijado também do Mundial de 2002, passou a tratar Luiz Felipe Scolari com ironia. Mais recentemente, já no Fluminense, criou atritos com os treinadores Valdir Espinosa, Ricardo Gomes e Alexandre Gama. Os dois primeiros perderam na queda-de-braço e deixaram o clube. O outro resistiu. O que mais chamou a atenção nos últimos meses, no entanto, foi a ?briguinha? particular com Ronaldo. Romário disse que depois de Pelé não surgira nenhum jogador melhor do que ele no Brasil. O Fenômeno retrucou e o acusou de pretensioso.

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