Romário: o verdadeiro 'dono' do Vasco da Gama

Jogador-atacante do clube de São Januário tem comando total sobre as ações da equipe

Leonardo Maia, Agência Estado

07 de janeiro de 2008 | 18h04

A nau vascaína está mesmo sob o comando do capitão Romário, que praticamente transformou São Januário em seu aquário particular, onde passeiam os seus "peixes" prediletos. O presidente interino do Vasco, Eurico Miranda, de postura centralizadora, entregou o controle das principais decisões do futebol do clube nas mãos do Baixinho.Assim com em 2007, quando a diretoria vascaína admitia sem constrangimentos que a prioridade para o ano era o gol mil do atacante, o projeto do Vasco 2008 é o plano de aposentadoria de Romário.Nomeado técnico para o Campeonato Carioca, que começa dia 19, indicou Alfredo Sampaio como auxiliar técnico para ajudá-lo na missão de levar o Vasco ao primeiro título desde o Estadual de 2003 - para encerrar a carreira em alta - e também pediu a contratação de antigos parceiros, como o meia Beto, a quem também levou consigo quando contratado pelo Fluminense em 2003.Eurico Miranda sempre eleva o tom quando questionado sobre a subserviência a Romário: "Quem manda aqui sou eu. É claro que consultei o Romário sobre o Alfredo Sampaio, pois irão trabalhar juntos. Mas quem decide sou eu."São duas as razões principais para Eurico dividir poderes e alienar os interesses da instituição Vasco em favor das metas pessoais de um jogador: uma enorme dívida financeira com o jogador e a inexistente capacidade de contratar atletas de primeira linha, decorrente da falta de patrocínios.Além dos rendimentos atuais, o Vasco paga a Romário uma dívida que chegou a superar os R$ 12 milhões. Entre suas muitas idas e vindas, o centroavante emprestou ao clube algo em torno de US$ 2 milhões do próprio bolso, além de ter ficado sem receber salários durante vários meses. Some-se a isso o desinteresse de grandes empresas em associar suas marcas ao clube, uma vez que Eurico costuma impedir jogadores de dar entrevistas e dificulta o trabalho da imprensa; e sua administração é, no mínimo, obscura.Quando negociou o retorno do Baixinho no segundo semestre de 2006, Eurico pretendia usar a busca do gol mil como forma de atrair investidores. Em contrapartida, concedeu ao melhor jogador do mundo de 1994 o direito de treinar quando bem entendesse e de sequer viajar para os jogos fora do Rio. O gol mil veio, mas nenhum título e nem mesmo um patrocinador de longo prazo. Para este ano, Eurico selou acordo com a rede de fast food Habib’s, mas como um patrocínio secundário (que será estampado na manga do uniforme) e que não permitiu ao Vasco fazer uma contratação de peso sequer nesta pré-temporada. O grande nome com o qual Eurico ainda sonha é o atacante Edmundo, antigo "peixe" de Romário, mas com quem sequer troca cumprimentos atualmente.Em busca de dinheiro extra, a equipe vascaína está em Dubai, nos Emirados Árabes, onde disputa torneio amistoso até o dia 12, e prejudica toda a preparação para a temporada. "O ideal seria uma semana de trabalhos físicos antes dos trabalhos com bola", reclamava o próprio Romário, garoto-propaganda da excursão, antes de embarcar. "Só espero que o preço a pagar não seja caro demais".A torcida cruzmaltina deve ter se apercebido que o preço que o Vasco está pagando por entregar-se nas mãos de seu maior ídolo desde Roberto Dinamite já é extremamente caro. Muito superior a R$ 12 milhões.

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