Jorge Saenz/ AP
Jorge Saenz/ AP

Ronaldinho admite crime e fica livre de acusação pela promotoria do Paraguai

Ex-jogador e seu irmão admitem a prática do crime de utilização de documentação falsa, mas promotoria considera que eles foram enganados

Juan Carlos Lezcano, de Assunção, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2020 | 23h16

O Ministério Público do Paraguai decidiu não apresentar acusação formal contra Ronaldinho Gaúcho nem contra seu irmão Assis Roberto na investigação sobre o uso de documentos falsos no país. O ex-jogador admitiu a prática do crime de utilização de documentação falsa, mas a promotoria considerou que eles foram enganados e solicitou a aplicação do "critério de oportunidade" por terceiros. Após quase 24 horas dos primeiros procedimentos e um longo dia de depoimentos, o promotor Federico Delfino informou que Ronaldinho e seu irmão e empresário não seriam acusados e que solicitaria a liberação de ambos.

"Vamos acusar várias pessoas por fatos diferentes pela prova documental, assim como por associação criminosa. A investigação ainda está aberta. O senhor Ronaldo de Assis Moreira, mais conhecido como Ronaldinho, forneceu vários dados relevantes para a investigação e eles foram beneficiados com uma saída processual que estará a cargo do Juizado Penal de Garantias", disse Delfino, sobre o pedido do Ministério Público para deixar livre do processo os ex-jogadores.

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Considerando que essas pessoas foram surpreendidas de boa fé por terem documentos apócrifos paraguaios de conteúdo falso e com os dados que contribuíram para a investigação e que estão sendo muito úteis para atrapalhar essa quadrilha criminosa dedicada à produção de documentos falsos, solicitamos a liberação
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Federico Delfino, promotor

Delfino explicou que essa decisão permite que Ronaldinho deixe o caso, mas com a condição de admitir a prática do crime que foi acusado, o uso de documentos de conteúdo falso, passaportes e cédulas de identidades. "Eles foram surpreendidos em boa fé". "É a aplicação da figura do critério de oportunidade com a admissão correspondente do fato por eles, bem como de uma reparação social que fica a critério do Tribunal de Garantias", explicou Delfino, sobre as condições para conceder a saída de Ronaldinho do caso.

"Considerando que essas pessoas foram surpreendidas de boa fé por terem documentos apócrifos paraguaios de conteúdo falso e com os dados que contribuíram para a investigação e que estão sendo muito úteis para atrapalhar essa quadrilha criminosa dedicada à produção de documentos falsos, solicitamos a liberação", disse o promotor.

Por outro lado, foram imputados o empresário brasileiro Wilmondes Sousa Lima e as paraguaias María Isabel Galloso e Esperanza Apolonia Caballero. Em nome das duas mulheres que habitam um dos bairros mais pobres de Assunção, foram emitidos os passaportes, que mais tarde foram adulterados para acrescentar os dados de Ronaldinho e de seu irmão.

A Procuradoria solicitou a prisão preventiva de Sousa Lira, que é acusado especificamente pela produção de documentos falsos no país, entre outros crimes. Há também pessoas e funcionários públicos na mira do MP paraguaio.

HISTÓRICO

Ronaldinho desembarcou em Assunção às 9h05 de quarta-feira, acompanhado de Assis. Ele participaria da apresentação e lançamento de um programa da Fundação Fraternidade Angelical. Além disso, lançaria a biografia "Gênio da Vida". Durante o dia, teve tratamento parecido ao de chefes de Estado, tendo até proteção policial durante seu deslocamento. No entanto, a história deu uma guinada drástica à noite, quando foi alvo de ação da polícia e do MP. Representantes da promotoria paraguaia foram ao quarto do hotel de luxo onde ele estava hospedado, pois o campeão mundial pela seleção brasileira teria entrado no Paraguai usando documentos de conteúdo falso.

Na manhã desta quinta-feira, o comissário Gilberto Fleitas, diretor de investigação de fatos puníveis da Polícia Nacional, afirmou que Ronaldinho lhe disse ter recebido os passaportes falsos com os quais entrou no Paraguai das mãos do empresário Wilmondes Sousa Lira em sua casa no Brasil. No entanto, essa versão foi contrariada pela relatada posteriormente por Delfino, que contou em uma entrevista coletiva que os documentos foram entregues a Ronaldinho e seu irmão em uma sala VIP do aeroporto Silvio Pettirossi, após o desembarque no Paraguai.

A versão mudou novamente na tarde desta quinta-feira. Adolfo Marín, advogado de Ronaldinho, disse que os documentos foram entregues a ele em sua casa no Brasil há um mês pelo empresário Sousa Lira. "Sousa Lira entregou os documentos no Brasil, não me lembro da data, mas cerca de 20 a 30 dias atrás", afirmou.

Segundo Marín, Sousa Lira viajou para a casa de Ronaldinho no Brasil para entregar passaportes e cartões de identificação. "Ele não solicitou esses documentos. Ele os recebeu enquanto estava em casa. Ele não forneceu nenhuma informação ou fotografia para a preparação dos documentos", acrescentou. Por fim, ele disse que Ronaldinho e Assis são vítimas de Sousa Lira. O ex-jogador, então, está livre e deve esperar um juiz determinar a reparação social que precisará realizar para finalmente ser totalmente retirado do caso. 

 

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