Albert Gea / Reuters
Albert Gea / Reuters

Ronaldinho Gaúcho nega ter mudado história do Barcelona: 'Foi um grupo'

Brasileiro dá detalhes de amizade com Messi e diz que argentino 'tem tudo, não precisa de nada que eu tinha'

EFE, EFE

17 de janeiro de 2020 | 08h36

Um dos maiores ídolos do Barcelona em todos os tempos, Ronaldinho Gaúcho recusou o rótulo de responsável por ter mudado a história do clube no começo do século, quando liderou os time catalão na conquista do título da Liga dos Campeões de 2005/2006.

"É um orgulho escutar que mudei a história do Barcelona, mas isso não é verdade. Não fui eu, foi um grupo de jogadores que atravessava um grande momento", disse Ronaldinho em entrevista à revista espanhola Panenka.

O craque chegou ao Barça em 2003, contratado junto ao Paris Saint-Germain, e permaneceu no clube catalão até 2008. Além da Liga dos Campeões, conquistou dois títulos do Campeonato Espanhol e dois da Supercopa da Espanha. "Foi tudo muito bonito, desde o primeiro dia, o primeiro jogo. Foi algo mais que especial", derreteu-se.

Ronaldinho falou também do tempo em que jogou com Lionel Messi, maior artilheiro da história do Barcelona. Ele se recorda que quando chegou ao clube, já se falava de um menino que se destacava entre os mais novos.

"Logo ficamos amigos, começamos a jogar juntos e nos demos muito bem. Ele veio sendo diferente de todos os outros, e conversamos com Rijkaard para que Messi viesse treinar conosco. Tudo foi muito rápido. Tive a sorte de dar a ele o passe para seu primeiro gol. Com o tempo, é muito bom ver de perto alguém que começa e que logo conquista o mundo", declarou o brasileiro, que, no entanto, negou que o argentino tenha lhe deixado algum ensinamento em particular.

"Sempre fomos muito próximos, aprendemos coisas do dia a dia. Ele me ensinou espanhol, e eu lhe ensinei português, mas com a bola nos entendemos perfeitamente", comentou.

Perguntado sobre que qualidade Messi poderia herdar de Ronaldinho se pudesse, o brasileiro foi taxativo: "Leo tem tudo, não precisa de nada de mim".

Ronaldinho disse ter recordações tão boas do seu passado com Barcelona que é impossível destacar apenas uma. "Desde o primeiro jogo, foi tudo alegria, e há muitas recordações. Acho que cheguei com milhares de pessoas esperando por mim no estádio", lembrou o ídolo, que elogiou o técnico do time na época, o holandês Frank Rijkaard.

"Ele é um grande treinador, um cara muito calmo, o melhor com quem já trabalhei. Ele sabia tudo porque jogava no melhor nível, e isso tornou as coisas muito fáceis para nós. Tudo que nos pediu, ele já tinha vivido antes, então nos falou de uma maneira muito simples e direta", enalteceu.

"Ele me deu muita liberdade. Afinal, quando não tínhamos a bola, também tínhamos de cumprir as nossas obrigações. Mas quando a tivemos, isso me fez sentir completamente livre", acrescentou.

Por isso, ele não hesita em admitir que o futebol do Barça é o que melhor se adapta ao seu estilo de jogo, pois ter a bola é uma característica do jogo do time espanhol. "Tudo que se faz é com uma bola. Quando você treina dessa maneira, então tudo funciona bem", considerou.

Depois do sucesso no Barcelona, Ronaldinho foi para o Milan, onde atuou com jogadores como Kaká, Thiago Silva, Pirlo, Beckham, Seedorf, Ibrahimovic, Gattuso e Maldini. "Foi como chegar a um time dos melhores do mundo, como o Real Madrid dos galácticos", comparou.

Na sequência da carreira, o camisa 10 teve passagem discreta pelo Flamengo e depois defendeu o Atlético-MG, pelo qual foi campeão da Libertadores de 2013. Ainda vestiu as cores do Querétaro-MEX e do Fluminense antes de abandonar os gramados.

"Foi muito bom voltar ao meu país. Estava muito interessado porque tinha saído muito jovem, precisava ganhar a Libertadores e participar de outras competições. Eu também queria voltar fisicamente bem para competir a um nível elevado", disse.

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