Ronaldinho: "Não fui mal tecnicamente"

Quando o locutor do estádio anunciou o nome de Ronaldinho Gaúcho, antes da partida, o som que veio das arquibancadas foi fora do normal - e mostrou como estavam divididas opiniões e concentrada nele a atenção de todos. De um lado, fortes palmas, de brasileiros e de alemães admiradores do craque do Barcelona. De outro, os mexicanos vaiaram, na tentativa de desestabilizar o melhor do mundo em 2004. No campo, no fim das contas, prevaleceu desempenho sem grande inspiração, um retrato do que foi a seleção em sua segunda apresentação na Copa das Confederações. "Não acho que fui mal tecnicamente", rebateu Ronaldinho Gaúcho, ao lhe perguntarem se ficou aquém do esperado. "Nem me senti cansado", acentuou. "Tive o desgaste comum de todo mundo que está chegando agora em fim de temporada aqui na Europa. Nada além disso." Ronaldinho Gaúcho argumentou, em seu favor, alguns bons passes que deu, sobretudo no primeiro tempo, e que poderiam ter definido o resultado da partida. Num desses lances, Adriano perdeu a melhor oportunidade de marcar, aos 38 minutos. "Se tivéssemos feito aquele gol, provavelmente teria sido outra a história", lamentou. "Iríamos para o intervalo com menos pressão, mais descontraídos e com o controle do jogo." O que deixou Ronaldinho inconformado foram os números. Com dados na ponta da língua, tratou de comprovar que a superioridade mexicana se consolidou na eficiência da marcação e não na iniciativa de ir ao ataque. "Perder é normal, faz parte do jogo", disse. "Não é normal termos dado 35 chutes a gol sem fazer nenhum, enquanto os adversários arriscaram 10 vezes, conseguiram marcar e ainda venceram." Outro pecado mortal da seleção, na avaliação de seu jogador mais famoso e badalado, foi a falta de imaginação. A marcação forte exigia mais movimentação, a busca de opções táticas, e nada disso apareceu. "Afunilamos muito, esquecemos de abrir pelas laterais", constatou. "Enquanto isso, o México fechava espaços, prendia bem a bola", explicou. "Ficamos mais parados, em vez de abrirmos, de nos deslocarmos." A mobilidade foi uma das armas da seleção contra a Grécia, na estréia, arrancou elogios de crítica e deixou Parreira animado com o futuro no torneio. Desta vez, porém, a equipe estancou e agora terá jogo sem meio-termo contra o Japão, com o que isso representa de desgaste físico e emocional extra. "Esperávamos ter folga contra os japoneses", admitiu Ronaldinho, numa síntese do sentimento geral, depois dos 3 a 0 de quinta-feira, em Leipzig. "Agora, tudo mudou. Não vai ser nada fácil, porque eles também têm chances de classificação." Por conta da situação mais delicada, Ronaldinho nem cogita de pedir trégua para Parreira. Agora, avisa, é o momento de superação, de uma dose de dedicação intensa. O problema é que, com a vaga assegurada, não haverá mais pausa, porque em seguida vem a semifinal e eventualmente a disputa do título. "Fazer o que? Vacilamos e agora precisamos recuperar. Não tem mais saída; ou ganhamos ou voltamos. E queremos ganhar."

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