Ronaldo completa 35 anos em paz com a família e com seu legado

Atacante abandonou o futebol em fevereiro desde ano e agora se dedica à sua empresa de marketing esportivo, a 9ine

estadão.com.br

22 de setembro de 2011 | 13h26

SÃO PAULO - Aposentado, Ronaldo não tem muito tempo para grandes festas no dia em que completa 35 anos. O ex-jogador já avisou que a quinta-feira será como de costume desde que pendurou as chuteiras e colocou o terno e a gravata para comandar a sua 9ine, empresa de marketing esportivo no Brasil.

Ronaldo tem uma agenda pesada, com uma série de reuniões e despachos. Um de seus compromissos é com o lutador Anderson Silva, estrela do MMA. Ronaldo e seus estafe traçam os próximos passos de Anderson na modalidade. Ele aproveita o tempo sem atividade do lutador por causa de uma lesão muscular.

Ronaldo pretende comemorar os 35 anos com a mulher Bia Anthony e os filhos.

Ronaldo continua um cidadão do mundo, agora sem mais as cobranças que o atormentaram durante os últimos anos no futebol: seu peso. A aposentadoria o liberou dessas cobranças. Ronaldo agora faz o que quer.

Ele continua metido nas coisas do futebol, e do Corinthians. Recentemente foi de trem ao local onde será erguido o estádio para a Copa do Mundo de 2014, o Itaquerão. Roubou a cena e ainda desfilou seu carisma entre os convidados. Ele sempre foi assim.

Em seu Twitter, respondendo a um pedido de um seguidor que o queria ver à beira dos gramados, treinando o Corinthians, Ronaldo foi direto: "É mais fácil eu voltar a jogar."

PERFIL

Ronaldo Luiz Nazário de Lima

22 de setembro de 1976

Rio de Janeiro (TJ)

TEXTO PUBLICADO NO JORNAL DA TARDE EM FEVEREIRO DE 2011

Mesmo longe dos gramados, Ronaldo nunca será esquecido. O que fez em campo desde que deixou o São Cristóvão para defender as cores do Cruzeiro, seu primeiro clube como profissional, dificilmente será superado por outro jogador. Ronaldo ganhou o apelido de Fenômeno, criado na Itália, onde a notícia de sua retirada dos campos também estourou, e fez jus a ele até chegar ao Corinthians.

No Parque São Jorge sua primeira temporada foi excelente. Mais magro, mais disposto, mais envolvido, ainda aguentava colocar seu corpo cansado à prova do futebol competitivo. Suas últimas partidas, gordo e sem mobilidade, nada significam em relação ao que jogou na carreira. Não seria surpresa, por exemplo, se a Fifa descobrisse numa pesquisa que Ronaldo só é menos conhecido no futebol que Pelé, talvez que Maradona.

E tudo começou aos 16 anos, quando já fazia misérias no Cruzeiro. Além das jogadas ousadas, ele era um fazedor de gols. Em 59 jogos, marcou 57 vezes, escrevendo em Minas as primeiras linhas de carreira brilhante.

Não demorou para o garoto magricela e cheio de sonhos ser conhecido mundialmente. O primeiro passo para a fama que construiria foi dado em 1994, ao ser chamado por Carlos Alberto Parreira para a Copa do Mundo dos Estados Unidos. O menino franzino ainda era chamado de Ronaldinho. Tinha 17 anos e era o mais novo de um grupo que entraria para a história ao tirar o Brasil da fila de 24 anos sem título mundial. Ronaldo estava na campanha do tetra, embora não tenha participado de nenhum jogo. Mas nascia ali sua identificação com a Seleção e com a história das Copas.

Ao repórter Daniel Piza, do Estadão, Ronaldo disse que sua carreira foi linda. E foi mesmo. Deixou saudade em todos os clubes em que jogou. Vestiu camisas de peso do futebol mundial. Depois do Cruzeiro, vieram PSV Eindhoven (Holanda), Barcelona, Internazionale, Real Madrid, Milan e Corinthians. Em todos eles sua chegada arrastou multidões. Sua primeira negociação do Cruzeiro para o PSV foi de US$ 6 milhões. Nunca mais Ronaldo valeria tão pouco.

O MELHOR DO MUNDO

Foi no Barcelona, com arrancadas endiabradas e gols inacreditáveis, que Ronaldo ganhou seu primeiro dos três prêmios de melhor jogador do mundo da Fifa, em 1996. Repetiu a dose em 1997 e 2002.

Amargou, como qualquer outro, momentos delicados na carreira, como as lesões graves nos joelhos quando era da Inter e, depois, do Milan. A primeira delas foi contra o Lecce. Recuperou-se e voltou diante da Lazio. Era 2000. Foi quando comoveu o mundo com nova contusão. Sua imagem se contorcendo de dor era forte o bastante para fazer pensar em sua aposentadoria. Ronaldo persistiu.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Foi um Fenômeno também com a camisa do Brasil

Sem jogar na Copa de 1994, já seria um dos principais jogadores do time em 98, na França, quando uma convulsão às vésperas da final com a França fez o time se abater e ser presa fácil para a turma de Zidane. Ronaldo foi hospitalizado e passou por uma bateria de exames. Nada foi constatado. Ele enfrentou a França, mas sem ser o craque que o mundo conhecia.

Em 2002, superou os críticos que diziam que ele não daria mais nada para se transformar num mito. Faria oito gols, dois deles na decisão com a Alemanha. Quatro anos mais tarde, em 2006, na Alemanha, já parecia enfrentar problemas com o peso. Era seu epílogo na Seleção. O Brasil fracassaria diante da França, mas com três gols ele entraria para a história dos Mundiais como o maior artilheiro da competição. Ao todo, fez 15 gols.

Ronaldo para aos 34 anos. Mas o mundo jamais se esquecerá dele.

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