Ronaldo defende CBF e exclusões

A decisão da comissão técnica da seleção brasileira de não convocar Cafu, Kaká, Dida, Lúcio e Zé Roberto para os jogos com Bolívia, domingo, e Alemanha, dia 8, continua repercutindo entre os jogadores da equipe. E as opiniões se dividem. Ronaldo defendeu a medida, afirmando que os atletas precisam ter posição firme no clube. "A CBF (Confederação Brasileira de Futebol) quer preservar assim o orgulho de quem quer vestir a camisa da seleção." Está assim afinado com o discurso do técnico Carlos Alberto Parreira, que abriu mão dos cinco titulares por considerar que eles se esforçaram pouco para participar do amistoso com o Haiti, disputado dia 18 de agosto em Porto Príncipe. Alguns clubes, notadamente Milan e Bayern de Munique, não quiseram liberar os atletas para a partida. Em seguida, Parreira não os relacionou para o próximo confronto do Brasil nas eliminatórias do Mundial de 2006, com a Bolívia, e para o jogo com os atuais vice-campeões do mundo. De acordo com o lateral Roberto Carlos, a culpa do impasse não pode ser atribuída aos atletas. "Não é assim. Eles acabam sendo os grandes prejudicados. As confederações e os clubes têm de se acertar." Roberto garantiu que os cinco excluídos queriam estar treinando com o grupo na Granja Comary, em Teresópolis. Ele fez, porém, uma ressalva. Contou que tão logo foi contratado pelo Real Madrid teve uma conversa com os dirigentes do clube, a quem manifestou o seu interesse em integrar a seleção toda vez que fosse convocado. "Eu disse que não queria problemas nessa área, por ser um selecionável, embora reconhecendo os direitos do clube." Roberto Carlos lamentou o incidente e criticou a postura do Milan, onde jogam Cafu, Kaká e Dida. O atacante Adriano, da Inter de Milão, também transferiu para clubes e entidades a solução do caso. "È uma situação muito ruim para os jogadores. Todos querem vir para a seleção." Foi assim também o comentário do zagueiro Roque Júnior, do Bayer Leverkusen, certo de que os atletas não podem, sozinhos, responder pela questão. Ele é favorável a um entendimento entre CBF e clubes europeus. DIFICULDADES - Carlos Alberto Parreira prevê um jogo complicado com a Bolívia por causa das circunstâncias. "Você perde de repente cinco jogadores e ainda tem alguns contundidos; então vai ter de mudar muita coisa", declarou, referindo, por último, à situação de Ronaldinho Gaúcho, Juan e de Gustavo Nery, cortado nesta terça-feira da seleção por causa de uma fratura no punho direito. O treinador não quis se estender sobre a polêmica. Disse que os atletas haviam sido punidos pelos clubes e não pela CBF. Ele negou que a decisão de barrar os cinco titulares tenha sido tomada em função da fragilidade do adversário. "Muitas decisões na vida não dependem de um ou outro fator. Por acaso, o próximo jogo é com a Bolívia. Mas em seguida vamos enfrentar a forte Alemanha." O técnico afirmou que a direção da CBF vai cobrar uma posição da Fifa.

Agencia Estado,

31 Agosto 2004 | 19h26

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