Ronaldo, motivado, joga para apagar final de 98

A partida deste sábado entre Brasil e França é especial para o atacante Ronaldo. Ele tem a chance de exorcizar definitivamente o fantasma da final da Copa de 1998, quando horas antes do jogo em Paris sofreu a convulsão que abalou não só ele como toda a equipe brasileira. O Fenômeno passou por coisas bem piores depois daquele episódio - como as contusões no joelho - e superou todos eles. Brilhou em várias ocasiões, como na Copa de 2002, na Ásia. Mas dar o troco na França vai ser recompensador para alguém que, como define, gosta de superar obstáculos. O atacante evitou as entrevistas nos últimos dias, apesar do enorme assédio de jornalistas do Brasil e da França. Nesta sexta-feira, recusou-se a falar com um educado ?hoje eu não vou falar, não? aos jornalistas. Mas tem se mostrado bem mais descontraído do que no início da Copa. Nos últimos treinos, tem brincado mais com os companheiros e deixa transparecer bom humor, tranqüilidade, alegria e alívio. Após as críticas que sofreu pelo mau desempenho nos jogos contra Croácia e Austrália, Ronaldo melhorou o rendimento e fez gols nas duas últimas partidas (dois nos 4 a 1 sobre o Japão e um nos 3 a 0 contra Gana). Tornou-se o jogador que mais fez gols em Copas do Mundo, 15, e está aliviado. ?Esse recorde é resultado de muito sacrifício e determinação. E quero fazer mais e mais gols.?Ronaldo está motivado. E tem sido tratado com bastante carinho pela comissão técnica. Nesta sexta, por exemplo, Carlos Alberto Parreira, afirmou que, para ele, o atacante tem motivação e condições técnicas e físicas para jogar pelo menos mais uma Copa, em 2010, na África do Sul. Seria o quinto Mundial do atacante, que, aos 29 anos, continua respeitado e temido pelos adversários. Nos dias que antecederam a partida com a Austrália, atletas da seleção da Oceania admitiram temor de que Ronaldo despertasse justamente contra eles. E, na quinta-feira, dois dos principais jogadores da França, Thuram e Henry, demonstraram grande respeito pelo brasileiro. ?Acho incrível que critiquem o Ronaldo. Ele é sempre perigoso, está sempre fazendo gols?, disse Henry. ?Basta olhar as estatísticas para ver que não há ninguém melhor que ele?, acrescentou Thuram. Ronaldo tem a carreira marcada pela superação. E uma boa atuação neste sábado contra a França vai permitir a ele deixar para trás um dos momentos mais difíceis de sua vitoriosa trajetória. Se for bem e o time ganhar, o Fenômeno poderá ouvir, a partir deste sábado, os brasileiros comentarem a grande vitória sobre os franceses e apagarem um pouco da memória aquele triste 12 de julho de 1998.

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