Ronaldo: problema pode ser psicológico

Ronaldo pode voltar a jogar dentro de alguns dias. Os exames realizados nesta segunda-feira, em Milão, na musculatura da perna esquerda do jogador confirmaram o diagnóstico inicial do médico da Inter, Franco Combi: contratura leve. Domingo, no retorno ao Campeonato Italiano, depois de dois anos de ausência da competição, o atacante brasileiro sentiu uma fisgada na região posterior da coxa esquerda e abandonou o campo aos 13 minutos. Especialistas, no entanto, dizem que o problema pode ser psicológico. A ressonância magnética e a ecografia a que se submeteu Ronaldo não detectaram lesão muscular. "Não é nada sério", revelou o jogador. "Nesta terça-feira, começo o tratamento para voltar o mais rápido possível." Segundo Franco Combi, não é difícil compreender o que está se passando com o atleta, que regularmente tem apresentado problemas nas tentativas de retorno aos campos. "Ronaldo é vítima da tensão nervosa causada pelas exigências da torcida para que ele volte", ponderou o médico da Inter. "Isso pode alterar o estado atlético de qualquer um." Franco Combi comentou que nos treinamentos o atacante exige de seu físico até mais do que nas partidas. "Agora ele tem de se acostumar com a tensão e a pressão dos 90 minutos de um jogo normal." Giovanni Trapattoni, técnico da seleção da Itália, reforçou a explicação de Franco Combi. "Quando eu era jogador, tive seguidas lesões que só se manifestaram também durante os jogos e nunca em treinamento." A tese de que o estado emocional alterado tem originado os problemas de Ronaldo é compartilhada pelo fisiologista brasileiro Turíbio Leite de Barros. "Clinicamente não há razão para essas lesões seguidas. Não se trata de seqüela das duas cirurgias no joelho." Para o especialista, nenhum atleta do mundo atrai tanta atenção quanto Ronaldo neste instante. "O jogador somatiza tudo isso, não há dúvida." Para o presidente do Centro de Estudos de Pesquisa da Psicologia do Esporte, Ricardo Cozac, contusões de origem psicológica "não só acontecem como são corriqueiras" e costumam atingir profissionais de vários esportes como o tênis, a natação e o vôlei. "Em depressão, por exemplo, o paciente muda a postura da coluna, afetando, em um efeito dominó, outras partes do corpo, como coxa, joelho e tornozelo", explica Cozac. Em casos de ansiedade, os sintomas são, na maioria dos casos, dificuldade de respiração e enrijecimento muscular. "Só uma avaliação de um especialista pode determinar se Ronaldo sofre de algum desses problemas." O tratamento, normalmente, passa por sessões de terapia para aumentar a autoconfiança do atleta. Cozac ressalta que em casos de contusão de fundo psicológico é comum a manifestação súbita da lesão, logo no início da competição. A tese é reforçada pelo caso do meia Pedrinho. O jogador do Palmeiras recorda que, depois de duas cirurgias, sofreu estiramento assim que retornou. O meia chileno Sierra, ex-São Paulo, viveu situação semelhante no Morumbi e teve acompanhamento de Turíbio. "Havia um componente psicológico que originava novas contusões", lembra o fisiologista.

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