Ronaldo se diverte no vôo da seleção

Uma outra seleção brasileira, mais conhecida que a do empate com a Bolívia, mudou a rotina do vôo 2250 (Rio-Macapá, com escala em Belém) na noite de domingo. Os oito jogadores dispensados da partida em La Paz embarcaram no Boeing 737 da Varig como passageiros comuns. O avião só dispunha de classe econômica e celebridades como Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho tiveram de dividir espaço com pessoas incrédulas por desfrutarem da companhia de gente tão famosa. Kaká, Roberto Carlos e Cafu também estavam lá e foram alvos do bom humor de Ronaldo. Primeiro, ele começou a estranhar a atitude de uma mulher idosa, que se apresentou como norte-americana, identificando-se como Efigênia, e que lhe pedia autógrafos a todo instante. Ela demonstrava pouco ou nenhum conhecimento sobre futebol brasileiro.Ao ver Roberto Carlos dormindo num assento atrás de Ronaldo, a mulher perguntou ao atacante, apontando para o lateral: "Também é jogador?" A resposta veio com ironia: "É sim. Ele é o Dunga." Efigênia, então, relacionou o nome à pessoa e num português bem fluente, comentou, agradecida. "É o Dunga mesmo, eu lembro dele." Roberto "Dunga? Carlos continuou dormindo. Enquanto isso, outras admiradoras de Ronaldo se aproximavam dele para os pedidos de sempre: autógrafos e fotos. Só uma das fãs destoou. Era Carla Gregório Santiago, estudante de Botânica de uma universidade de Belém, que passou vários minutos falando ao atacante sobre a crise no ensino de Botânica na capital do Pará.Ao ouvir a história da estudante Carla, Ronaldo virou-se para o zagueiro Juan, na poltrona ao lado, e balbuciou: "Eu não acredito que isso está acontecendo." O atacante da seleção e do Real Madrid dava atenção a todos, sempre sorridente. E, para democratizar o interesse dos passageiros, passou a criar outros personagens. Disse que um dos repórteres no vôo era Antônio Lopes, técnico do Corinthians. Para espanto do próprio Ronaldo, várias pessoas abordaram o falso Antônio Lopes em busca de autógrafos. Mais à frente, Ronaldinho Gaúcho dormia recostado à janela. Parecia cansado. Azar dele que o assento ao lado estava vago e foi ocupado por uma outra senhora. Ela não se conteve e cutucou o ombro do jogador do Barcelona até acordá-lo. Talvez sem saber o que dizer, pensou rápido e lhe fez a seguinte pergunta. "Você mora em Belém, né?"Ronaldinho Gaúcho se saiu bem: "Não, moro em Porto Alegre". Depois, voltou a cochilar. Essas histórias iam chegando até Ronaldo e serviam para descontrair a viagem.Para terminar a noite no vôo 2250, Ronaldo recebeu conselhos de uma paraense, Regina Barra, sobre o consumo de açaí em Belém. "É afrodisíaco. Cuidado, beba pouco. No Rio, o açaí é muito misturado e não dá efeito. Aqui, é natural e arretado. Ouviu, Ronaldo? Quer um conselho? Não consuma não antes do jogo (de quarta-feira, contra a Venezuela). Senão você vai passar vergonha quando entrar em campo."

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