Ronaldo volta mas ainda pensa em sair

A torcida da Inter foi neste sábado ao aeroporto Malpensa, em Milão, receber Ronaldo. Pouco mais de 100 pessoas o aguardavam com uma enorme faixa: "Agora tem de pedir perdão". O atacante não viu a faixa nem enfrentou os torcedores. Desceu do avião e, na pista do aeroporto, entrou em um carro do presidente da Inter, Massimo Moratti. No domingo, treina no CT Pinetina, mas com a cabeça no Real Madrid. O atacante brasileiro desembarcou às 15h30 (horário local), de um vôo da Varig, com a sua tropa de choque: os agentes Alexandre Martins e Reinaldo Pitta e o assessor de imprensa Rodrigo Paiva. É um sinal de que não voltou apenas para retomar os treinos na Inter. A sua disposição é de insistir na transferência para o Real. "Ainda temos esperança. Não é a primeira vez que o Real anuncia que está desistindo da negociação e volta a negociar novamente", disse Rodrigo Paiva. O assessor de Ronaldo não está blefando. Dirigentes do Real e da Inter continuam conversando. O clube espanhol havia aumentado a oferta de US$ 12 para US$ 15 milhões e mais Flávio Conceição e Morientes. Os italianos não aceitaram. Pediram Morientes e Solari e mais um punhado de dólares para alcançar a cifra de US$ 80 milhões. A negociação esfriou porque Solari teria se recusado a transferir-se para o futebol italiano. Foi apenas uma parada estratégica, até porque Jorge Valdano, diretor do Real, e Massimo Moretti, diretor da Inter, não têm poder para colocar um ponto final na negociação. Os dois haviam sido encarregados pelos presidentes dos clubes de fechar o negócio, mas não chegaram a um acordo. A palavra final cabe a Florentino Perez, presidente do Real, e Massimo Moratti, da Inter. Os dois milionários passam férias em Fomentera, região de veraneio na Espanha, a bordo de seus iates. Perez é um dos maiores construtores do mercado espanhol. Moratti tem no seu império cinco poços de petróleo. Eles continuam trocando telefonemas e devem jantar pela segunda vez no iate de Moratti, informa a imprensa espanhola. É por isso que Ronaldo ainda não desistiu da transferência. É por isso também que carregou seus agentes Pitta e Martins para Milão. Eles acreditam que até segunda-feira receberão telefonemas dos milionários, direto de Fomentera para, enfim, acabar com a novela. Ronaldo, segundo Rodrigo Paiva, aguarda o desfecho da transação bem tranqüilo. O jogador não teme a hostilidade dos torcedores. Por ele, passaria hoje pelo saguão do aeroporto Malpensa e enfrentaria a torcida da Inter sem problemas. Só não saiu pela porta da frente porque a Inter montou um esquema especial. O jogador e sua comitiva seguiram em dois carros, que estavam na pista aguardando o desembarque, e foram para a sede do clube. "Se quer seguir sendo nosso herói, tem que dizer o que sente a todos nós", disse um torcedor que estava no aeroporto. O sentimento dele e de outros era de traição por parte de Ronaldo. A imprensa italiana também teve a mesma postura dos admiradores da Inter. O La Repubblica, um dos jornais mais sérios da Itália, estampou "A condenação de Ronaldo", mostrando a difícil situação do jogador, por ter de voltar a defender a Inter e ainda se entender com o técnico Héctor Cúper, com quem tem muitas diferenças. O Corriere dello Sport não perdoou: "O sonho de jogar no Real parece muito distante para Ronaldo". O jornal pergunta qual será a atitude do atleta que, agora, será obrigado a jogar no clube de Milão. Na Espanha, o tom dos jornais era de dúvidas sobre a desistência do Real Madrid. O ABC, um dos mais conservadores de Madri, afirma que "Real e Inter rompem a negociação... mas continuam jogando". O diário relata que foi muito estranho o comunicado oficial dos clubes anunciando o encerramento das negociações. "A coincidência dos anúncios oficiais mostra que tudo foi combinado." O diários esportivo AS adotou a mesma linha. "A contratação de Ronaldo sofreu um aparente sinistro total?. Aparente, porque basta repassar o que aconteceu nos dois últimos anos em matéria de contratações (Figo, Zidane...) para compreender que, no caso do Real Madrid, não será dada a última palavra até que se esgote o prazo de inscrição: dia 31. Essa desconfiança generalizada na imprensa espanhola é a mesma de Ronaldo. O jogador aposta que o Real ainda não deu a cartada final. "Não tenho pressa, temos uma semana ainda para que tudo se resolva", disse o Fenômeno.

Agencia Estado,

24 Agosto 2002 | 15h02

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